O colágeno é uma proteína de característica fibrosa e insolúvel responsável por muitas funções corporais importantes, sendo a mais conhecida delas a formação da matriz extracelular e dos tecidos conectivos.

Apesar de ser sempre lembrado como uma proteína única, o colágeno é uma família de proteínas com características relacionadas, mas com estrutura genética diferentes, porém todas com algum tipo de função estrutural.

O colágeno pode ser sintetizado por diferentes tipos de células e, por isso, conta com tantos “formatos” diferentes. Nos últimos anos, o colágeno das células da pele, ossos e outros tecidos estruturais, tem estado no foco da ciência médica, por conta do envelhecimento cada vez maior da população mundial. Com um grande número de pessoas chegando aos consultórios médicos com queixas relacionadas ao envelhecimento, maior se tornou o interesse dos profissionais da saúde em investigar o uso de compostos como o colágeno, para ajudar nos tratamentos.

Se você já pesquisou um pouco sobre colágeno e estrutura dos tecidos da pele, ossos e cartilagem, muito provavelmente já ouviu falar de colágenos do tipo I e do tipo II (que, inclusive, são comercializados na forma de suplementos alimentares para atender a diferentes necessidades médicas e nutricionais). Mas você sabia que existem vários outros tipos de colágeno produzidos pelo corpo? Nesse artigo, vamos apresentar um pouco mais sobre eles.

Quais são os outros tipos de colágeno que existem?

Para funcionar de forma saudável, o corpo produz diferentes tipos de colágeno o tempo todo. Entretanto, o número exato de estruturas diferentes de colágeno que existem no corpo humano ainda é um tema que gera dúvidas entre especialistas, médicos e pesquisadores no tema.

Até o ano de 1997, um estudo listava a existência de pelo menos 18 tipos diferentes de colágeno no corpo humano, em 2014 outro estudo  afirmou que são mais de 28 estruturas completamente diferentes dessa proteína circulando no organismo. 

Mesmo com muita incerteza sobre o número correto, sabe-se que todos eles apresentam algum tipo de função estrutural, por conta da característica de suas moléculas, que formam bastões pequenos, rígidos, resistentes e elásticos.

O colágeno mais abundante no corpo humano é o de tipo I – e provavelmente também o mais conhecido de todos eles. Apenas esse colágeno é responsável por cerca de 80% da concentração dessa molécula no corpo e ele é encontrado na pele, ossos e tendões. O tipo II e tipo III, que são responsáveis por cerca de 10 a 15% do colágeno corporal, são encontrados em cartilagens, pele e músculos.

O restante do percentual da composição corporal de colágeno, que corresponde a cerca de 5% do valor total, é formado por todos os outros tipos dessa molécula que ainda são estudados pela ciência. 

Um tipo de colágeno classificado como tipo VII é responsável por estabilizar a junção entre a derme e a epiderme, tem sido estudado por especialistas em envelhecimento por conta de sua possível participação na melhora da qualidade da pele e outras estruturas dérmicas.

Outro colágeno, chamado de tipo V, é classificado como um colágeno fibrilar, visto que ele é responsável por formar pequenas fibrilas no organismo humano. É encontrado em órgãos como o baço, o fígado, a córnea, o pulmão e a pele. Também pouco conhecido pela ciência médica moderna, acredita-se que ele pode ter relação com a melhora da imunidade e na resposta do organismo a doenças degenerativas. O mesmo é observado para o colágeno de tipo IV, encontrado no tecido conjuntivo e na membrana basal dos órgãos. 

Para que servem esses tipos de colágeno?

Diferentes tipos de colágeno desempenham diversas funções corporais, mesmo que todas elas tenham algum tipo de relação com a sustentação das estruturas corporais. Os colágenos tipo I, II e III são utilizados para fins estéticos ou médicos, no tratamento da pele, das estruturas ósseas, dos ligamentos e até mesmo da musculatura corporal.

O colágeno do tipo VII, por sua vez, tem sido bastante relacionado com a melhora da qualidade da pele que está em processo de envelhecimento, visto que ele tem atuação na conexão entre a derme e a epiderme. Um estudo já conseguiu mostrar que existe uma redução significativa na presença de colágeno VII em rugas e tecidos de pele envelhecidos e por isso a ciência tem explorado como fazer para repor essa perda. 

O colágeno do tipo V tem papel importante nos processos de cicatrização, promovendo proliferação e reparação tecidual. Por isso, inclusive, ele tem sido apontado por muitos especialistas como importante no processo imunológico e na recuperação de tecidos lesionados ou degenerados. Acredita-se que ele também pode ter um papel complementar ao colágeno tipo IV, estabelecendo uma ligação entre ele e os outros tipos de colágeno (I, II e III) nos mais diversos tecidos corporais.

O que a ciência fala desses colágenos na saúde humana?

Apesar de alguns estudos preliminares com relação ao colágeno e seus diversos tipos encontrados no organismo humano terem sido realizados ainda na década de 90, a ciência pouco avançou nas descobertas dos tipos de colágeno que não são o I, II ou III.

Por isso, ainda é preciso ter mais estudos clínicos em mãos para realmente entender se é possível trabalhar com os mais de 28 tipos de colágenos diferentes do corpo, em prol de alguma melhora estrutural no organismo, combatendo doenças degenerativas ou processos naturais de envelhecimento.