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Vitaminas para amamentar: 8 nutrientes importantes

Mulher amamentando seu filho bebê
6 minutos de leitura

Ao longo dos nove meses de gestação, os hormônios circulantes no corpo da mulher o preparam para produzir e fornecer o leite materno ao bebê que está prestes a nascer.

Durante os primeiros 4 a 6 meses de vida do bebê, todos os nutrientes e hidratação necessários são fornecidos através do leite materno. Portanto, a mulher precisa estar bem nutrida para conseguir fornecer o alimento adequado.

As recomendações de ingestão diária dos nutrientes mudam do período da gravidez para a lactação. Confira abaixo quais são as 8 vitaminas para lactantes mais importantes.

1. Ômega 3

O ômega 3 na gravidez tem diversos benefícios para a saúde da mãe e do bebê. 

Uma das suas atuações mais importantes é no desenvolvimento do cérebro da criança, que ocorre no terceiro trimestre da gestação. E o papel do ômega 3 no desenvolvimento do sistema nervoso continua até os 2 anos de idade. 

O DHA é o principal representante do grupo de gorduras ômega 3 nessa fase. Até os 6 meses, ocorre um acúmulo de cerca de 905 mg de DHA no cérebro, representando 50% do total presente no corpo da criança.

A incorporação de DHA no cérebro é diária durante o período de lactação. Portanto, é de extrema importância que a quantidade fornecida no leite materno seja adequada.

A baixa oferta de DHA nos primeiros meses de vida também está relacionada ao desenvolvimento inferior da acuidade visual e do sistema imunológico. 

Devido a importância do nutriente nessa fase é recomendado a suplementação materna com no mínimo 100 mg de DHA ao dia, de uma fonte segura e livre de contaminação com metais pesados.

2. Vitamina D

A vitamina D na lactação é extremamente importante para o desenvolvimento da criança. A deficiência do nutriente está relacionada a doenças como o raquitismo, devido ao seu impacto na má formação dos ossos.

O fornecimento de vitamina D ao bebê depende dos níveis presentes no leite materno e sua exposição ao sol. Esses fatores variam de acordo com consumo materno e incidência solar naquela estação do ano ou país.

Para evitar possíveis inadequações, é recomendada a suplementação da mãe e do bebê (começando aos dois meses de idade).  

É recomendado para a mulher uma dose mínima de 400 UI por dia, para manter os próprios níveis do seu corpo adequados e fornecer no leite materno uma quantidade ideal durante a amamentação.

3. Vitamina A

A recomendação de ingestão diária de alguns nutrientes é aumentada durante a lactação. Esse é o caso da vitamina A. Em gestantes com mais de 18 anos, a demanda é de 770 mcg ao dia, e esse valor sobe para 1300 mcg em lactantes.

Devido a esse aumento, a suplementação pode ser recomendada, principalmente em algumas regiões do Brasil onde a deficiência é endêmica. 

A reposição de Vitamina A com suplemento deve sempre ser realizada com o acompanhamento de um profissional de saúde. Doses altas do nutriente não devem ser utilizadas durante a gravidez, pois podem ser teratogênicas ao bebê.

No entanto, no pós-parto imediato ainda no hospital, uma megadose de Vitamina A pode ser utilizada para restabelecer os níveis na mãe e garantir o fornecimento adequado ao bebê através da amamentação.

4. Vitamina B9 e Ferro

Para lactentes, nome utilizado para se referir ao bebê que está sendo amamentado, o ácido fólico e o ferro são importantes, mas sua relevância é ainda maior entre as vitaminas para lactantes, ou seja, a mãe. 

As demandas de vitamina B9 e ferro diminuem de 600 mcg e 27 mg para 500 mcg e 9 mg, respectivamente, da gestação para a lactação. Entretanto, é recomendado a manutenção da suplementação e cuidados com a alimentação no pós-parto.

Essa atenção especial é voltada para a prevenção de anemia e outros problemas de saúde relacionados aos baixos níveis desses dois nutrientes. Especialmente a depender do volume de sangue perdido pela mãe durante o parto.

5. Cálcio

O cálcio é muito requisitado durante o terceiro trimestre da gestação, por ser uma dos principais componentes da formação dos ossos, que ocorre intensamente nesse período.

Durante a lactação, o bebê continua a crescer constantemente, consequentemente precisando de um suprimento constante do mineral. A recomendação de consumo diário de cálcio não aumenta da gravidez para a amamentação, continuando em 1000 mcg.

A suplementação desse mineral não é obrigatória, desde que a alimentação da mãe seja rica em alimentos fontes de cálcio. Em caso de baixa ingestão, cálcio é retirado dos ossos da mãe para garantir bons níveis no sangue e no leite, podendo causar prejuízos no futuro.

6. Magnésio

O magnésio é uma importante vitamina para lactantes. Os níveis do mineral no corpo materno reduzem ao longo da gestação, chegando a possível inadequação no pós-parto.

A concentração de magnésio no cordão umbilical é maior do que no sangue da mãe, devido à demanda do bebê na gestação. Esse quadro é agravado pelo aumento da excreção renal durante a gravidez.

Portanto, a suplementação é recomendada para restabelecer os bons níveis do nutriente no corpo da mãe. Evitando assim sintomas da inadequação, como as câimbras musculares

7. Zinco

O zinco é um mineral importante durante a gestação e lactação. Esse nutriente está envolvido em diversas reações de proliferação de células, que ocorrem intensamente durante a formação e desenvolvimento do bebê.

O crescimento do bebê nos primeiros anos de vida é intenso. A amamentação é considerada de sucesso quando o ganho de peso semanal da criança está dentro dos parâmetros adequados.

A dieta da lactante deve fornecer 12 mg de zinco ao dia. Esse valor é maior do que o recomendado na gestação, de 11 mg. 

A ingestão adequada do mineral também promove melhor absorção de folato, prevenindo a deficiência de vitamina B9. 

8. Vitamina C

Entre as vitaminas para lactantes, a Vitamina C merece destaque pelo aumento de sua demanda. A ingestão diária recomendada através da alimentação para gestante é de 85 mg, subindo para 120 mg durante a lactação.

Diversos alimentos presentes na rotina brasileira são boas fontes de vitamina C, portanto essa recomendação é facilmente alcançada. 

Caso a dieta da mãe não seja adequada, a suplementação pode ser considerada. Afinal, níveis inadequados de ingestão levam a baixas concentrações da vitamina no leite materno.

Ficou com outras dúvidas sobre os cuidados necessários com a alimentação para lactantes? Deixe nos comentários.

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Referências:

Jouanne M, Oddoux S, Noël A, Voisin-Chiret AS. Nutrient Requirements during Pregnancy and Lactation. Nutrients. 2021 Feb 21;13(2):692.


Kominiarek MA, Rajan P. Nutrition Recommendations in Pregnancy and Lactation. Med Clin North Am. 2016 Nov;100(6):1199-1215.

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nutricionista maria eduarda fortes

Nutricionista pela Universidade de São Paulo (USP).

Experiência acadêmica em pesquisa científica, trabalhando com projeto sobre tratamento de epilepsia com dieta cetogênica. Atuação em educação alimentar, desenvolvendo curso de capacitação para professores da rede pública sobre nutrição.

Trabalha com marketing de conteúdo, com foco na divulgação de informação de qualidade baseada em ciência sobre alimentação e suplementação.

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