Você já deve ter ouvido falar que artrose é uma doença e osteoartrose outra. Mas também já deve ter escutado que são a mesma coisa. Vamos desvendar esse mistério e entender o que é artrose e como tratar.

O que é artrose?

Artrose, osteoartrose, osteoartrite e doença articular degenerativa são todos nomes usados para uma mesma doença reumatológica que afeta, principalmente, pessoas que estão na faixa dos 40 anos ou mais.

A artrose ataca as articulações causando o desgaste da cartilagem que envolve as extremidades dos ossos, e ainda acomete outros elementos articulares. Para facilitar o entendimento e memorização listamos as áreas atingidas pela artrose:

  • ossos;
  • ligamentos;
  • membrana sinovial;
  • liquido sinovial (de aspecto translúcido e viscoso, situado nas cavidades articulares).

Embora possa danificar qualquer articulação do corpo, a artrose costuma afetar com mais frequência as articulações da coluna, das mãos, dos joelhos e dos quadris.

O desgaste causado é muito prejudicial, pois a cartilagem tem como função evitar o atrito entre duas extremidades ósseas durante a realização de um movimento articular. Quando a cartilagem está comprometida a pessoa sente dor, inchaço e limitação dos movimentos.

Cartilagem saudável x Cartilagem afetada pela artrose

Cartilagem saudável

A cartilagem é formada basicamente por fibrilas, colágeno tipo II associado a proteoglicanos e moléculas como condroitina e ácido hialurônico. Com o aspecto viscoso, é um tecido do organismo com células esparsas, hiperhidratada (o conteúdo de água varia de 66 a 80%) e sem a presença de vasos sanguíneos.  

O que chama a atenção na estrutura do colágeno é a grande quantidade de colágeno tipo II (entre 48 a 62%) presente na cartilagem.

Já a quantidade de proteoglicanas (proteínas que constituem a estrutura celular permitindo formar uma rede de colágeno) fica entre 22-38% do tecido. Elas são responsáveis por fixar o colágeno e conferindo rigidez e elasticidade tecidual.

A condroitina e o ácido hialurônico estão presentes em quantidades menores, mas contribuem de forma importante a funcionalidade do tecido.

Quando saudável, a função da cartilagem se mantém adequada, não havendo perdas ou ganhos de tecido. Os feixes de fibras colágenas paralelas à superfície da articulação se comportam como uma espécie de “pele” para conferir amortecimento e proteção a região. 

Cartilagem afetada pela artrose

Na artrose, o tecido cartilaginoso está bem alterado, perdendo sua característica estrutural e, com o avançar da patologia, não sobra nenhuma cartilagem, deixando as áreas ósseas expostas.

Segundo um estudo (1), dentre as muitas alterações celulares e bioquímicas, está a destruição do colágeno tipo II, que é, aparentemente, o principal fator da progressão da doença e da destruição da superfície cartilaginosa.

Isso se dá, entre outros fatores, porque com a idade, a proteção do colágeno e ácido hialurônico diminuem, causando a ruptura da rede de proteoglicanas. A consequência é a perda da propriedade mecânica da cartilagem, causando a artrose.

Quais fatores pioram a artrose?

Agora que você já sabe o que é artrose, vamos conhecer o que faz o problema se agravar. Os fatores que pioram a artrose são:

  • idade;
  • gênero;
  • obesidade;
  • nutrição;
  • hereditariedade;
  • alterações hormonais e metabólicas.

Idade

Ainda que a doença seja mais comum em idosos, o envelhecimento não é a causa do problema. Em geral, as mudanças na cartilagem dos idosos é diferente das observadas em quem possui a enfermidade.

As modificações que acontecem no decorrer dos anos, mas não são suficientes para causar o problema se não houver outros fatores. Mas a perda muscular que ocorre com a idade pode iniciar o processo da artrose.

Aos 30 anos

Aproximadamente 35% dos casos de artrose nos joelhos apareceram em indivíduos acima dos 30 anos, ainda que nem todos os afetados pela doença apresentem sintomas.

Aos 50 anos

A idade predominante para o aparecimento do problema é entre os 50 e 60 anos, sendo mais frequente se a pessoa for obesa.

Aos 70 anos

Já aos 70 anos, o número de pessoas com diagnóstico radiológico para artrose chega a 85% da população.

Gênero

Ainda que o problema acometa ambos os sexos, a artrose é mais comum em mulheres. Nas mulheres, os joelhos sofrem com o impacto dos saltos altos, a coluna com as bolsas pesadas sempre carregadas do mesmo lado, e a  maior tendência para o ganho de peso, fazem das mulheres o sexo mais predisposto à doença.

Hereditariedade

Algumas evidências apontam a tendência genética como uma possível causa para o aparecimento da artrose. Contudo, o mecanismo genético envolvido ainda é pouco conhecido. Há uma forma primária de osteoartrite que afeta indivíduos jovens que se origina em um defeito na síntese do colágeno tipo II.

Obesidade

É frequente a observação da associação entre artrose e obesidade, sobretudo quando a doença acomete os joelhos. Um fato que colabora com essa afirmação é a perda de peso, pois é observado uma grande melhora dos sintomas. Da mesma forma, o ganho do peso piora os sintomas.

Estudos (2) indicam que os obesos (na faixa etária dos 50 aos 60 anos ou mais) cujo índice de massa corporal (IMC) está entre 30 e 35 kg/m², possuem um risco de 4 a 5 vezes maior de desenvolver a doença.

Nutrição

A alimentação adequada pode aliviar os sintomas inflamatórios característicos da artrose e melhorar a síntese de colágeno tipo II para as regiões desgastadas.

Alterações hormonais e metabólicas

Existem indícios de que o déficit do hormônio estrogênio bem como do produzido pela tireoide estão intimamente ligados à artrose. Assim, a falta desses hormônios podem ser fatores que colaboram para o aparecimento da doença.

Já o diabetes, um conhecido distúrbio metabólico, é sempre citado como um fator que predispõe à artrose, pois pode levar à alterações degenerativas da cartilagem.

Como tratar a artrose?

A doença das articulações pede uma busca crescente por tratamentos, tanto os tradicionais quanto os não tradicionais. Essa demanda continuará crescendo à proporção que a população envelhece.

A terapêutica visa, sobretudo, a diminuição dos sintomas. Pacientes obesos são orientados a emagrecer, pois articulações que suportam o peso do corpo, como os joelhos, são beneficiadas com a perda de peso.

O tratamento deve ser feito segundo a gravidade do problema e com as particularidades do doente e é realizado com medicamentos, fisioterapia e até cirurgias. Assim, o objetivo principal do tratamento é:

  • diminuir o avanço das lesões,
  • aliviar as dores,
  • prevenir e melhorar deformidades e limitações articulares,
  • melhorar a qualidade de vida do paciente.

Fisioterapia

O tratamento fisioterápico objetiva:

  • controlar a dor,
  • tonificar os músculos,
  • mobilizar as articulações;
  • aprimorar a coordenação;
  • alongar as estruturas corporais;
  • reduzir e até prevenir deformidades;
  • conscientizar sobre a relação atividade/repouso;
  • ajudar a manter a função articular, garantindo um melhor estilo de vida aos pacientes.

O fisioterapia costuma utilizar vários tratamentos, como a eletrotermofototerapia (trata dor e inflamação), mobilização articular, crioterapia, programas de exercícios terapêuticos e métodos abrangentes como RPG (Reeducação Postural Global) e Pilates.

A solução cirúrgica só é necessária em casos crônicos, com aumento da dor e limitação funcional do paciente.

Medicamentos

Os tipos de medicações mais usados no tratamento da artrose compreendem:  

– Anti-inflamatórios

Diminuem a inflamação e aliviam a dor.

– Analgésicos

Aliviam a dor de leve a moderada.

– Narcóticos

Aliviam as dores intensas. Devem ser usados apenas com indicação médica, pois causa sonolência e entorpece os sentidos, e o uso prolongado pode viciar.

Colágeno tipo II

Diversos estudos demonstram que os suplementos de colágeno tipo II podem ajudar no tratamento da artrose, tornando-se uma forma segura, além de nada invasiva, de lidar com o problema. Confira a intrínseca relação entre colágeno e artrose.

A suplementação com peptídeos bioativos de colágeno tipo II estimula naturalmente a produção de colágeno nas áreas que precisam resistir à grandes pressões, como as cartilagens, as articulações e os discos intervertebrais.