Os benefícios do ômega 3 para a saúde já são bem documentados pela literatura científica e amplamente recomendado por médicos e nutricionistas. Mas, a dúvida que não quer calar:

“Como o ômega 3 TG (triglicerídeos reesterificados) não aumenta o nosso triglicerídeo?”

Fizemos este post para te ajudar a entender porque a resposta é NÃO! Na verdade, você só tem a se beneficiar com suplementos de ômega 3 vendidos sobre a forma de TG.

Mas antes, veja o que é e para que serve ômega 3:

Ômega 3 TG ou EE

O ômega 3 TG passa por mais uma etapa industrial para aumentar a disponibilidade de ômega 3 para o organismo, para isso vamos te explicar como é o processo do Ômega 3 EE (ésteres etílicos) para chegar no Ômega 3 TG.

Ômega 3 EE

Vários fabricantes de suplementos e a industria farmacêutica quebram moléculas de ácidos graxos presentes no óleo de peixe para unir mais ômega 3 na sua composição, seja através de EPA, DHA ou ALA.

E para essa união se manter, é necessário o uso de etanol após a quebra de glicerol, e por isso o nome “ácidos graxos ésteres etílicos”. Como resultado, o benefício dessa técnica industrial é que o ômega 3 fica até 44% mais biodisponível para ser utilizado pelo nosso corpo do que aqueles suplementos vendidos como óleo de peixe apenas.

Ômega 3 TG 

A molécula de etanol adicionada no ômega 3 EE para estabilizar é retirada de forma que não afeta sua estabilização e se adiciona novamente o glicerol provocando mudanças nos triglicerídeos presentes. Ou seja, deixa o ômega 3 TG mais perecido com o que é encontrado na sua forma natural. Porém, o bônus é que agora ele está 72% mais biodisponível para ser utilizado pelo nosso corpo, ou seja mais de 30% do que o ômega 3 EE.

O Ômega 3 TG está relacionado apenas com a sua estrutura molecular para otimizar seu metabolismo, sem relação com a piora da saúde.

Benefícios do ômega 3 TG na redução de triglicerídeos (colesterol)

Parece estranho pensar que triglicerídeo pode trazer benefícios iguais aos vistos com a suplementação de ômega 3, mas vamos te explicar como isso acontece. Mais estranho ainda pensar que a sua suplementação é recomendada para pessoas com altos níveis de triglicerídeos, colesterol e problemas cardíacos.

Ômega 3 como tratamento complementar a dislipidemias 

Ensaios clínicos mostram que o ômega 3 pode ser uma terapia complementar para diminuir os lipídeos circulantes no sangue como o próprio triglicérides e colesterol.  Um grupo de cientistas do Japão mostraram que os ácidos graxos do tipo ômega 3 além da terapia com estatina, resultou em mudanças positivas no perfil lipídico como diminuição de triglicerídeos.

E um estudo com um grande número de indivíduos analisados encontraram que a suplementação de ômega 3 é capaz de diminuir risco de doença coronariana em indivíduos com triglicerídeos elevados no sangue em até 16% e com colesterol de lipoproteína de baixa densidade elevado (conhecido como colesterol ruim: LDL) em até 14%.

Mecanismo fisiológico para diminuição do triglicerídeo com ômega 3

Alguns mecanismos fisiológicos que explicam essas alterações envolvem a secreção de VLDL transportada pela apolipoproteína B, diminuição do enriquecimento de triglicerídeos de partículas de VLDL e aumento do seu catabolismo, além de estimulação da via PPAR-α. Resumindo, todos os mecanismos descritos são capazes de promover alterações positivas ao metabolismo lipídico.

Referências:

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