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Para que serve a Coenzima Q10 na prática clínica

nutricionista realizando uma consulta nutricional
8 minutos de leitura

Primeiramente, a coenzima Q10 (CoQ10) é um composto essencial do corpo humano, semelhante a uma vitamina, sendo considerada um antioxidante lipossolúvel.

Ela é biossintetizada pelo nosso organismo na membrana mitocondrial interna e apresenta um caráter lipofílico que facilita a sua difusão através das membranas.

A CoQ10 é constituída por um anel de benzoquinona ligado a uma cadeia de 10 unidades de isopreno e está presente, geralmente, nas membranas celulares, sobretudo nas mitocôndrias, tanto na forma reduzida (ubiquinol) quanto na forma oxidada (ubiquinona).

Ela apresenta diversas funções de importância vital para o funcionamento celular normal, que incluem: 

  • fornecimento de energia celular/síntese de ATP via fosforilação oxidativa mitocondrial; 
  • representação como importante antioxidante lipossolúvel sintetizado endogenamente, protegendo as membranas das organelas celulares/subcelulares dos danos oxidativos induzidos pelos radicais livres; 
  • participação no metabolismo de lisossomos, sulfetos, aminoácidos e colesterol; 
  • atuação como agente anti-inflamatório.

Devido aos seus diversos efeitos na saúde, muitos estudos têm sido realizados para avaliar e demonstrar as possíveis aplicações da Coenzima Q10 na prática clínica.

A seguir, entenda para que serve a Coenzima Q10 e quais as principais dosagens e indicações nutricionais desse composto.

Importância e fontes alimentares da Coenzima Q10

Os níveis de CoQ10 são particularmente altos em órgãos com alta atividade metabólica, como fígado, rins, cérebro e coração.

Assim, por desempenhar um importante papel na função de diversos órgãos, um déficit dos níveis plasmáticos de CoQ10 está associado a muitos estados degenerativos e várias doenças, tais como:

  • Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares (por exemplo, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, enxaqueca, doença renal crônica e hipertensão).
  • Doenças de Alzheimer (DA) e de Parkinson (DP).
  • Distrofia muscular.

Contudo, cerca de metade da CoQ10 do corpo é obtida através da dieta, já o restante é biossintetizado endogenamente. As principais fontes dietéticas da Coenzima Q10 incluem carnes, peixe, salmão, sardinha, frango, nozes, soja, óleos vegetais. 

Entretanto existem outras fontes que, mesmo em níveis muito mais baixos, também, apresentam esse composto, como: laticínios, vegetais, frutas e cereais. Por isso, compreender sobre a biodisponibilidade desse composto é tão importante para auxiliar na rotina clínica.  

Biodisponibilidade da Coenzima Q10

A CoQ10 tem uma biodisponibilidade oral muito baixa e variável, dependendo de muitos fatores, como a dosagem de administração, o tipo de formulação, o método de liberação e o modo de administração (por exemplo, antes, durante ou após as refeições).

Os estudos mostram que, se administrada na forma de alimento, a CoQ10 chega ao lúmen intestinal com o colesterol exógeno, depois, é captada pelas micelas mistas, junto com as gorduras das refeições, a bile e as secreções pancreáticas, o que facilita sua solubilização e a entrada nos enterócitos pela via intestinal. 

A CoQ10, incorporada aos quilomícrons nos enterócitos, posteriormente, atinge o sangue por meio do sistema linfático. Da corrente sanguínea ela é distribuída para os tecidos periféricos e para o fígado, onde é parcialmente reexcretada na bile e eliminada com as fezes.

O principal fator limitante da baixa biodisponibilidade da Coenzima Q10 é sua pouca solubilidade nos fluidos gastrointestinais.

Por esta razão, várias formulações têm sido propostas no mercado em forma de comprimidos, cápsulas, comprimidos mastigáveis ​​e géis contendo suspensões oleosas para melhorar a bioacessibilidade e biodisponibilidade da CoQ10. 

Principais aplicações e dosagens da Coenzima Q10 na prática clínica

A necessidade diária de CoQ10, tanto da biossíntese endógena quanto de fontes dietéticas, é de aproximadamente 500mg.

No entanto, não há doses efetivas mínimas ou máximas estabelecidas; o consumo de 200mg, duas vezes ao dia, é necessário para atingir um nível sanguíneo terapêutico de >2,5µg/mL, embora as doses utilizadas variem de acordo com o tipo de doença.

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coenzima q10 dor de cabeça

Coenzima Q10 na prática clínica e enxaqueca

É relatado que a enxaqueca apresenta uma prevalência de 11,6% no mundo.

Crises agudas de cefaleia latejante unilateral (com duração de 4 a 72 horas), fotofobia, fonofobia, osmofobia, náuseas, vômitos, alodinia craniana e sensibilidade ao movimento são mais frequentemente referidas e, inevitavelmente, associadas à piora da qualidade de vida. 

Uma deficiência de CoQ10 está associada à patogênese da enxaqueca, especialmente nas populações pediátrica e adolescente.

Diretrizes da American Academy of Neurology recomendaram uma suplementação com CoQ 10 na prevenção da enxaqueca, apesar de apresentar nível de evidência C. 

A esse respeito, um ensaio clínico randomizado duplo-cego, controlado por placebo, realizado em 45 pacientes, mostrou que a suplementação com 400mg/dia de CoQ10 reduziu significativamente a frequência dos ataques de enxaqueca, embora nenhum efeito significativo na gravidade e duração tenha sido relatado.

Apesar da heterogeneidade, resultados encorajadores sugerem que a suplementação da CoQ10 (400mg/dia), associada a outros nutracêuticos tipicamente usados ​​para a profilaxia da enxaqueca, como curcumina, magnésio e Tanacetum parthenium L. ou riboflavina, demonstra bons efeitos. 

Suplementação de Coenzima Q10 na prática clínica em pacientes com fibromialgia

A etiologia da fibromialgia é descrita por diferentes processos fisiopatológicos, tais como alteração bioenergética, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo e cascatas inflamatórias.

A proteína quinase ativada por AMP (AMPK) desempenha uma função regulatória chave em todas as cascatas.

A AMPK é uma enzima que contribui para manter a correta homeostase da energia celular e é regulada negativamente em pacientes com fibromialgia.

A ativação da AMPK foi induzida pela CoQ10, resultando em uma melhora nos sintomas clínicos em pacientes com fibromialgia.

O estudo conduzido em mulheres tratadas com CoQ10 em uma dose de 300mg/dia ou placebo por 3 meses mostrou uma redução significativa na fadiga da fibromialgia.

Resultados semelhantes foram obtidos pelo mesmo grupo de pesquisa, também, em mulheres tratadas por 40 dias com 300 mg/dia de CoQ10. 

Já outro estudo demonstrou melhora da fibromialgia juvenil em pacientes após 3 meses de tratamento com 100mg/dia de ubiquinol.

Outros dois estudos, incluindo pacientes do sexo feminino com fibromialgia, mostraram que dosagens de CoQ10 300-400mg/dia podem favorecer melhoras significativas. 

CoQ10 e saúde cardiovascular

A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição na qual o coração é incapaz de manter a circulação sanguínea suficiente para suprir as necessidades do corpo.

Ela pode ser considerada uma condição de privação de energia miocárdica, caracterizada por disfunção mitocondrial, redução da produção de ATP, aumento da geração de radicais livres/estresse oxidativo e inflamação.

Um estudo multicêntrico randomizado, controlado por placebo, mostrou que a ingestão diária de 300mg de CoQ10 por pacientes afetados por IC moderada ou grave traz benefícios.

Houve uma redução significativa na taxa de eventos cardíacos adversos maiores, mortalidade cardiovascular, mortalidade por todas as causas e incidência de hospitalizações por IC após 2 anos, em comparação com o placebo.

Coenzima Q10 e Vhita

A Coenzima Q10 da Vhita oferece alta concentração de CoQ10 em apenas 1 cápsula (120mg), contém Vitamina E em sua formulação, o que evita a oxidação e garante os benefícios da Coenzima Q10, também, potencializa seus efeitos antioxidantes.

Além disso, ela é veiculada com TCM para otimizar sua a absorção e proporcionar efeitos anti-inflamatórios.

Além da Coenzima Q10, a Vhita conta com outros produtos em seu portfólio que são desenvolvidos com as melhores matérias-primas para sua prescrição ficar ainda mais funcional.

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Referências

MANTLE, D. et al. Depletion and Supplementation of Coenzyme Q10 in Secondary Deficiency Disorders. Frontiers In Bioscience-Landmark, [S.L.], v. 27, n. 12, p. 322, 19 dez. 2022. IMR Press. http://dx.doi.org/10.31083/j.fbl2712322. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36624950/. Acesso em: 05 maio 2023.

DAI, S. et al. Effects of Coenzyme Q10 Supplementation on Biomarkers of Oxidative Stress in Adults: a grade-assessed systematic review and updated meta-analysis of randomized controlled trials. Antioxidants, [S.L.], v. 11, n. 7, p. 1360, 13 jul. 2022. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/antiox11071360. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35883851/. Acesso em: 05 maio 2023.

SIFUENTES-FRANCO, S. et al. Antioxidant and Anti-Inflammatory Effects of Coenzyme Q10 Supplementation on Infectious Diseases. Healthcare, [S.L.], v. 10, n. 3, p. 487, 7 mar. 2022. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/healthcare10030487. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35326965/. Acesso em: 05 maio 2023.

TESTAI, L. et al. Coenzyme Q10: clinical applications beyond cardiovascular diseases. Nutrients, [S.L.], v. 13, n. 5, p. 1697, 17 maio 2021. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu13051697. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34067632/. Acesso em: 05 maio 2023.

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Nutricionista pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e pós graduada em Comportamento Alimentar pelo Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em Saúde (IPGS).

Experiência acadêmica em pesquisa científica e produção de conteúdos com embasamento científico. Trabalha com marketing de conteúdo, com foco na divulgação de informação de qualidade baseada em ciência sobre alimentação e suplementação.

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