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Melatonina: o que é, funções e como tomar

Mulher idosa dormindo bem
8 minutos de leitura

A melatonina, popularmente conhecida como hormônio do sono, é produzida naturalmente no corpo humano por uma pequena estrutura localizada no cérebro, a glândula pineal.

Sua síntese está relacionada ao ciclo circadiano, um relógio biológico que regula certas funções do organismo ao longo do dia e noite. No caso da produção da melatonina, o estímulo é a falta de luz solar no período noturno.

A produção da melatonina ocorre a partir da serotonina, também conhecida como hormônio da felicidade. Por sua vez, a serotonina é sintetizada a partir do triptofano, um aminoácido capturado pelo cérebro a partir do sangue.

A ação desse hormônio está intimamente relacionado ao período noturno e aos processos específicos que ocorrem no corpo humano durante a noite. Entenda mais sobre as funções e benefícios da melatonina abaixo.

Para que serve a melatonina?

A principal função da melatonina é avisar a todo o corpo que está de noite, com estímulo direto ou indireto a processos que ocorrem dentro desse período. Ou seja, a melatonina é um regulador do ciclo circadiano.

No organismo humano, muitos processos dependem da atuação do ciclo circadiano para o funcionamento adequado, pois ocorrem  em momentos ou ciclos específicos ao longo de 24 horas.

Existem receptores de melatonina espalhados por todo o corpo humano, para que o sinal relacionado ao período noturno chegue em toda a parte. Porém, existem alguns processos que a melatonina estimula diretamente, como o caso do sono. 

A secreção de melatonina é estimulada pela ausência de luz, e desencadeia a sonolência e vontade de dormir. O pico da concentração ocorre por volta de 3 a 4 da manhã.

A presença da melatonina no sangue também está ligada à duração do sono. Quanto maior o período no qual sua presença é detectada no sangue, mais longo é o sono.

Outros estímulos relacionados ao sono também são regulados de forma direta pela melatonina. É o caso da redução da temperatura corporal, que chega ao seu nível mais baixo quando estamos dormindo, e a secreção de cortisol, o hormônio que nos faz acordar.

Mulher jovem dormindo bem

Funções da melatonina

1. Qualidade do sono

A melatonina é um dos principais fatores que determina a qualidade do sono. A sua secreção pela glândula pineal inicia uma cascata de eventos necessários para uma boa noite de sono.

Por exemplo, redução da temperatura corporal, redução do gasto energético e baixos níveis de cortisol, são necessários para dormir bem e mediados diretamente pelo hormônio.

Níveis de melatonina estáveis durante a noite levam a menor tempo necessário para pegar no sono, aumento do total de horas dormidas, redução dos despertares noturno, ou seja, uma melhora geral na qualidade do sono.

2. Metabolismo energético, peso corporal e diabetes

A melatonina é um importante regulador do metabolismo energético, incluindo peso corporal, sensibilidade à insulina e tolerância à glicose.

Isso ocorre pois entre a noite e o dia esses parâmetros são alterados. Durante a noite, período no qual a melatonina está ativa, reduzimos o gasto energético e ficamos em jejum.

Como consequência, diminuímos a liberação de insulina e sensibilidade das células à insulina. Assim o sangue não fica sem a glicose, o principal substrato energético do cérebro.

Esse processo também conta com as reservas energéticas do corpo, os estoques de gordura. 

Alterações no padrão normal da melatonina durante a noite, levam a consequências a regulação desses parâmetros ao longo do dia. Os impactos contribuem para o ganho de peso e a diabetes mellitus tipo 2.

3. Pressão arterial e coração

Outro ponto que sofre alteração entre o dia e a noite é a pressão arterial e os batimentos cardíacos. No sono, ambos estão reduzidos e esse processo é mediado pela melatonina.

O hormônio atua tanto no controle realizado pelo cérebro, quanto nos locais onde a pressão arterial e batimentos cardíacos são controlados, como coração, rins e vasos sanguíneos.

Portanto, níveis alterados contribuem com o funcionamento inadequado e o surgimento de doenças relacionadas, como lesão de isquemia ou reperfusão, hipertensão pulmonar e arterial, doenças vasculares e na válvula cardíaca.

4. Cérebro

Doenças como delírio, depressão, transtorno bipolar, autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e doenças neurodegenerativas (Parkinson, Huntington e Alzheimer), apresentam uma grande redução de melatonina pela glândula pineal.

Isso é consequência das importantes funções do hormônio no cérebro, seu local de produção e maiores efeitos. Nas doenças indicadas acima, é recomendado o uso de melatonina junto ao tratamento tradicional.

A melatonina atua no cérebro através de duas vias: auxiliando na realização das funções normais e em funções específicas.

Entre as funções normais, estão precesso como:

  • Neutransmissão: Comunicação entre as células do cérebro;
  • Neutrofismo: Ação das células do cérebro sobre outros tecidos e órgãos;
  • Neuroproteção: Proteção do cérebro através de ações antioxidantes, anti-inflmatórias e reparo do DNA;
  • Neuroplasticidade: Desenvolvimento do cérebro e suas células;

Já para as funções específicas, estão algumas das citadas regulações do hormônio, como:

  • Ciclo circadiano;
  • Reprodução;
  • Metabolismo energético;
  • Sono;
  • Pressão arterial.
Mulher idosa cansada devido a insônia

Como tomar melatonina para insônia?

No Brasil, existem duas formas comerciais da melatonina: os suplementos e os medicamentos. 

Melatonina em suplementos

A dosagem de até 0,21 mg pode ser utilizada em suplementos alimentares, normalmente na apresentação em gotas ou comprimidos, consumidos por via oral.

Essa dosagem leva a uma concentração na corrente sanguínea similar a produção normal de melatonina pelo organismo. Devido a isso, seu consumo auxilia na correção e melhora de pequenos distúrbios do sono.

Principalmente nos casos de insônia relacionados a: 

  • Jetlag, após viagens longas ou mudanças de fuso horário;
  • Dificuldade em pegar no sono, devido a estresse ou exposição a luz de telas (celular, notebook, etc) próximo ao horário de dormir;
  • Alteração do sono devido a mudança de estação, como a menor exposição à luz solar no inverno;
  • Insônia no envelhecimento.

É recomendado que a melatonina seja consumida à noite, próximo ao horário de dormir. Simulando assim o processo de produção natural do hormônio e contribuindo para a regulação do ciclo circadiano.

Melatonina em medicamentos

Qualquer dosagem superior a 0,21 mg é considerada um medicamento pela ANVISA. Sua prescrição precisa de orientação médica, para avaliar recomendação de uso e dosagem.

A quantidade do hormônio presente em medicamentos leva a uma resposta de melatonina sanguínea muito maior do que a produção normal do corpo, por isso seu uso exige cuidados para não desregular outras funções relacionadas.

É seguro tomar melatonina?

A melatonina é um suplemento natural e bem aceito pelo organismo. Seu uso em pequenas dosagens é seguro, pois leva a uma concentração no sangue similar à produção normal. 

O seu uso é indicado para adultos com 19 anos ou mais.  Não é recomendado o uso sem a orientação de um profissional da saúde para crianças, gestantes e lactantes.

O ciclo circadiano ainda está em maturação em crianças, e a regulação varia da estabilidade encontrada em adultos. Como a melatonina interfere nesse processo, seu uso não é recomendado sem indicação médica.

No caso de gestantes e lactantes, a melatonina consegue ultrapassar a barreira placentária e chegar ao feto, além de estar presente no leite materno. Devido a isso, também é necessário orientação profissional antes de iniciar o uso.

A melatonina é um hormônio com importância muito além do seu efeito mais popular, a melhora do sono. Sua ação tem impacto direto na saúde e qualidade de vida como um todo.

Quer saber mais?

Referências:

Cipolla-Neto J, Amaral FGD. Melatonin as a Hormone: New Physiological and Clinical Insights. Endocr Rev. 2018 Dec 1;39(6):990-1028. 

Claustrat B, Leston J. Melatonin: Physiological effects in humans. Neurochirurgie. 2015 Apr-Jun;61(2-3):77-84.

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Nutricionista pela Universidade de São Paulo (USP).

Experiência acadêmica em pesquisa científica, trabalhando com projeto sobre tratamento de epilepsia com dieta cetogênica. Atuação em educação alimentar, desenvolvendo curso de capacitação para professores da rede pública sobre nutrição.

Trabalha com marketing de conteúdo, com foco na divulgação de informação de qualidade baseada em ciência sobre alimentação e suplementação.

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