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Nutrigenômica e nutrigenética, qual a diferença?

7 minutos de leitura

Você sabe a diferença entre nutrigenômica e nutrigenética? Para entender a diferença entre estes dois conceitos tão importantes para o nutricionista, antes é necessário saber o que é e o que cada um deles representa. 

Muitas vezes, a nutrigenética e nutrigenômica são palavras utilizadas como sinônimos para se tratar do estudo conjunto da área da nutrição com a ciência genética e sua influência nos diferentes fenótipos da saúde e doença.

Confira a seguir as evidências científicas a respeito de cada termo e saiba como utilizar a nutrigenômica e a nutrigenética na sua prática clínica.

Assim, você poderá levar suas consultas para outro nível. Saiba mais a seguir!

Nutrigenética x nutrigenômica 

Conheça abaixo a definição de cada um deles e descubra a diferença entre nutrigenética e nutrigenômica.

Assim, você pode utilizar o termo da maneira correta e entender quando buscar por cada um deles nas suas pesquisas em artigos científicos.  

Nutrigenômica

A definição de nutrigenômica diz que é um estudo baseado em como a ingestão de certos compostos pode afetar a expressão gênica. 

uso  de  ferramentas  de  genômica funcional é utilizado para sondar um sistema biológico seguindo um  estímulo  nutricional  que  visa compreender melhor  como  os  nutrientes  afetam  vias e  controle homeostático. 

Para se ter uma ideia, alguns dos temas mais buscados nas bases científicas em torno da nutrigenômica são referentes a algumas patologias e como o consumo alimentar pode afetar a expressão dos genes relacionados com doenças, como:

  • Obesidade;
  • Câncer;
  • Diabetes;
  • Alzheimer;
  • Doenças crônico não transmissíveis. 

Nutrigenética

Por outro lado, a nutrigenética é a análise de como genes do paciente estão relacionados com o metabolismo e podem estar associados às patologia.

É a área que pesquisa o efeito da variação genética com uma dieta ou interação com doenças. Assim, há a identificação de genes responsáveis pela resposta diferente a uma mesma dieta. 

O conceito de nutrigenética compreende os estudos epidemiológicos em que se analisa a maneira estatística do efeito distinto de uma dieta conforme o genótipo. 

Após ter clara a definição de cada um dos dois termos e analisar o que cada conceito quer dizer podemos traçar uma comparação e concluir que são opostos uma vez que a nutrigenética estuda tal coisa e a nutrigenômica outra coisa 

Não é possível classificar um ou outro como mais ou menos importante, ambos tem a sua contribuição para a saúde e são complementares.

Portanto, este acaba sendo um dos motivos que os termos estão sempre juntos, pois é preciso entender da nutrigenômica para analisar a nutrigenética. 

Por quê? 

O mapa genético realizado no Projeto Genoma Humano, que foi finalizado em 2013, foi crucial para fornecer ferramentas sobre aspectos genéticos.

São ferramentas que muito interessam ao nutricionista clínico, por isso, a área ganhou tanto destaque. 

Atualmente, há um cenário no qual os avanços da genética molecular e o sequenciamento do genoma humano permitiram, não apenas, o aprimoramento de ferramentas na área nutricional, bem como na própria atuação do nutricionista.

Isto também só aumenta a importância da nutrição para a sociedade, podendo ter cada vez mais uma abordagem personalizada e direcionada para cada indivíduo. 

nutrigenômica e nutrigenética

Para quê serve a nutrigenética e nutrigenômica? 

Aprender sobre a ligação entre os genes e os nutrientes e compostos bioativos encontrados nos alimentos é importante para o nutricionista.

Assim, é possível entender melhor como a dieta pode interagir com os componentes genéticos do seu paciente.

Sendo assim, com a nutrigenômica o nutricionista pode saber como a alimentação pode agir na modulação da expressão genética.

Desta forma, pode trazer uma nutrição mais personalizada, que funciona, de acordo com a individualidade bioquímica daquela pessoa. 

O uso da nutrigenética e nutrigenômica também traz o que é chamado de nutrição de precisão.

O nome vem da medicina de precisão, que traz tanto a prevenção, quanto tratamentos mais assertivos. 

Sem dúvidas, aplicar na sua prática clínica irá levar sua consulta nutricional para outro nível. Veja como a seguir. 

Até porque, gradualmente esta tendência da nutrição chega ao conhecimento do público leigo, que parte em busca deste tipo de tratamento. 

Como aplicar na prática clínica? 

Ao aplicar a nutrigenética, assim como a nutrigenômica na sua prática clínica, da forma correta irá poder descobrir predisposições daquele paciente e receber diagnósticos de doenças com mais facilidade e assertividade. 

Para aplicar, o seu paciente irá fazer um teste genético, que é conhecido também por mapeamento genético.

Teste genético

O mapeamento genético é um teste feito em torno do genoma, em que este é sequenciado a fim de analisar o DNA e identificar doenças, predisposições. 

Os testes nutrigenéticos são exames laboratoriais preditivos que identificam variantes genéticas que influenciam a forma como o organismo reage a determinados nutrientes. 

Polimorfismos

Estas variantes genéticas buscadas nos testes genéticos são conhecidas como polimorfismos e os mais frequentes são os SNPs – polimorfismos de nucleotídeo único. 

Os SNPs são alterações genéticas presentes em mais de 1% da população e podem estar localizados em várias partes do gene, que são nomeadas de promotora, codificadora e não codificadoras. 

Quando os SNPs acontecem na região promotora e codificadora existe maior probabilidade de modificar o funcionamento do gene e, consequentemente, a proteína formada. 

Vale ressaltar que o teste genético pode te ajudar a determinar qual o plano alimentar mais adequado para cada pessoa, tendo como objetivo a obtenção de um estado de saúde ótimo. 

Também permitem avaliar o potencial risco ou proteção que cada indivíduo apresenta em relação ao desenvolvimento de certas patologias. 

Certamente, ao saber que a pessoa que está se consultando com você tem predisposição genética a ter hipertensão sua conduta será diferente do que se identificar maior predisposição para câncer, doenças cardíacas ou diabetes. 

Então, pode-se ajustar e focar no manejo da dieta para a prevenção mais adequada de cada patologia com a nutrição ideal.

Quer saber mais?

Referências 

CORELLA, Dolores et al. Nutrigenética, nutrigenómica y dieta mediterránea: una nueva visión para la gastronomía. Nutricion hospitalaria, v. 35, n. SPE4, p. 19-27, 2018.

FUJII, Tatiane Mieko de Meneses; MEDEIROS, Roberta de; YAMADA, Ruth. Nutrigenômica e nutrigenética: importantes conceitos para a ciência da nutrição. Nutrire Rev. Soc. Bras. Aliment. Nutr, 2010.

GARCIA, Ana Elizabeth Alamino; SBRISSE, Elaine Uchôa; DE GODOY, Isabelle Bueno Silva. A Nutrigenômica e Nutrigenética no Brasil. Revista Faculdades do Saber, v. 8, n. 18, p. 1870-1882, 2023.

GIL, Marta Margato Pereira Loureiro. A Nutrigenética e Nutrigenómica: Uma Nova Abordagem nas Estratégias Nutricionais em Atletas?. 2021.

VALENTE, Maria Anete Santana et al. Nutrigenômica/nutrigenética na elucidação das doenças crônicas. HU Revista, v. 40, n. 3 e 4, 2014.

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Nutricionista pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e pós graduada em Comportamento Alimentar pelo Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em Saúde (IPGS).

Experiência acadêmica em pesquisa científica e produção de conteúdos com embasamento científico. Trabalha com marketing de conteúdo, com foco na divulgação de informação de qualidade baseada em ciência sobre alimentação e suplementação.

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