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Ansiedade na gravidez: Entenda como reconhecer os sinais

Ansiedade na gravidez. Mulher sentada no chão e olhar preocupado.
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A gravidez é um momento de muitas felicidades e descobertas para a mãe, mas também pode ocasionar estresse e dificuldades. Por esses motivos, a gestação e o pós-parto se tornam um momento onde a mulher está mais vulnerável. 

Esse cenário de vulnerabilidade pode predispor o aparecimento (ou reaparecimento) de distúrbios da saúde mental, como depressão e ansiedade. As duas doenças são as desordens psicológicas mais comuns no pré-natal e pós-parto.

Cerca de 11 a 21% das mulheres sofrem de ansiedade durante a gestação. É comum que o quadro se inicie no primeiro ou terceiro trimestre, quando as mulheres experienciam maiores estresses lidando com o fato de que se tornarão mães ou com as mudanças que a chegada do bebê ocasionará em sua vida.

Mesmo sendo um dos principais fardos que acomete a saúde mental das mulheres durante a gravidez, na maior parte dos casos a ansiedade não é diagnosticada. Esse fato é consequência direta dos estigmas relacionados à doença e a gestação.

Existe uma grande expectativa sobre as mulheres durante esse período de estarem sempre felizes com a perspectiva de se tornarem mães, dificultando com que possam expressar seus sentimentos. Principalmente quando esses são de tristeza e irritabilidade.

A criação dessa imagem da mulher grávida começa pelo fato de serem consideradas “protegidas” pelos hormônios da gravidez. Enquanto a depressão pós-parto é estudada e reconhecida, as mães que passam por problemas psicológicos não têm o mesmo apoio.

Quem tem ansiedade piora na gravidez?

Aproximadamente 50% das gestantes que sofrem de ansiedade têm um histórico prévio da doença. Esse contato prévio com a desordem psicológica pode ter acontecido em gestações anteriores ou em qualquer outro momento da vida.

O diagnóstico e tratamento de pregresso de ansiedade ou depressão é considerado o principal fator de risco para o desenvolvimento, ou reaparecimento, durante os nove meses de gestação.

Devido a esta relação, questionamentos relacionados ao psicológico e psicossocial da mulher devem fazer parte da rotina dos profissionais da saúde que acompanham as futuras mães no pré-natal. 

3 principais fatores de risco para ansiedade na gravidez

Identificar os fatores de risco para as mulheres mais vulneráveis a serem acometidas por ansiedade na gravidez, permite que medidas preventivas sejam colocadas em prática.

Reconhecer e tratar os alertas iniciais evita as consequências a longo prazo para a saúde da mãe e do bebê. Acometimentos da saúde mental durante os nove meses de gestação aumentam em até três vezes o risco da mulher desenvolver depressão pós-parto.

As consequências para a saúde do bebê são devido a diminuição do fluxo sanguíneo para o feto e a exposição aumentada ao cortisol, o hormônio do estresse. Esse quadro leva a desfechos como parto prematuro, baixo peso ao nascer e anomalias do desenvolvimento cognitivo.

1. Problemas psicossociais

Os problemas psicossociais se tornam um fardo grande para a vida da mulher durante este período vulnerável. Essas questões podem estar relacionadas a quaisquer relacionamentos e ambientes que a mulher tenha ou conviva.

É necessário que durante o acompanhamento pré-natal uma avaliação multidimensional e compreensiva seja realizada junto da mãe para identificar esses fatores de risco. Fontes de apoio, qualidade de suas relações, estressores recentes, abuso físico ou sexual, são alguns dos pontos que devem ser abordados na avaliação.

2. Abuso de álcool ou cigarro

Existe uma correlação direta entre o desenvolvimento de ansiedade na gravidez e um histórico de abuso de álcool. Mesmo nos casos onde o consumo é interrompido com a descoberta da chegada do bebê, o fator de risco ainda está presente.

O álcool é um alimento que deve ser excluído da dieta para a gestante. Seu consumo acarreta em muitas consequências negativas para a saúde e desenvolvimento da criança.

No caso do cigarro a relação também existe, mas ainda não está clara se o fumo é um risco para o desenvolvimento de ansiedade ou se a própria doença leva a hábitos menos saudáveis. 

No entanto, o abuso dessas duas substâncias (ou outras drogas) é um fator de risco para problemas de saúde mental em momentos mais vulneráveis como os nove meses da gravidez.

3. Histórico prévio de ansiedade ou depressão

O diagnóstico e tratamento anterior de um problema de saúde mental, principalmente ansiedade ou depressão, é o fator de risco mais forte para desenvolver o mesmo quadro na gestação.

Quais os sintomas de ansiedade na gravidez?

Os sintomas de ansiedade na gravidez variam entre os mais comuns relacionados a doenças, mas também podem ser inespecíficos. Esse é um dos fatores que contribui para a dificuldade de se realizar um diagnóstico da condição.

As descrições habituais relacionadas a ansiedade são de um medo e preocupações intensas e descontroladas, principalmente em situações cotidianas. Na gravidez, fadiga, perda de energia, diminuição no apetite e alterações no sono são algumas das sensações mais comuns, que podem ou não estar associadas aos outros sintomas.

A gestação promove muitas mudanças no corpo da mulher, físicas e hormonais. As alterações desencadeiam sintomas que variam entre os indivíduos. Os sintomas de ansiedade muitas vezes se confundem com essas mudanças no corpo da mãe.

Nesse período também existe um foco muito maior na saúde física, com a saúde mental colocada em segundo plano. A razão teórica para isso é garantir a saúde do bebê. No entanto, a saúde mental também afeta o desenvolvimento da criança e não pode ser deixada de lado.

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Referências:

Kendig S, Keats JP, Hoffman MC, Kay LB, Miller ES, Moore Simas TA, Frieder A, Hackley B, Indman P, Raines C, Semenuk K, Wisner KL, Lemieux LA. Consensus Bundle on Maternal Mental Health: Perinatal Depression and Anxiety. Obstet Gynecol. 2017 Mar;129(3):422-430. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28178041/ 

Bayrampour H, Ali E, McNeil DA, Benzies K, MacQueen G, Tough S. Pregnancy-related anxiety: A concept analysis. Int J Nurs Stud. 2016 Mar;55:115-30. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26626973/ 
Biaggi A, Conroy S, Pawlby S, Pariante CM. Identifying the women at risk of antenatal anxiety and depression: A systematic review. J Affect Disord. 2016 Feb;191:62-77. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26650969/

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Graduanda em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP).

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