Benefícios do ômega 3 para a ansiedade

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a prevalência global de ansiedade é de 3,5 %, destacando-se em países como o Brasil e os Estados Unidos que alcançam valores de 9,3 % e 5,6 %, respectivamente. Estes dados epidemiológicos preocupam autoridades médicas que alertam para o comprometimento da saúde física e bem-estar dos indivíduos, além do aumento do risco de desenvolvimento de complicações cardiovasculares, morte prematura, além do impacto financeiro oneroso com os tratamentos.

A ansiedade é um conjunto de desordens mentais geralmente desencadeados por medo e preocupação em excesso, cujos sintomas são diversos e relacionados aos seus subtipos. Atualmente, o cenário da pandemia do novo coronavírus Sars-Cov-2 intensificou o desenvolvimento destes fatores externos que aumentam as chances de desencadear a ansiedade, bem como outras desordens psíquicas.

Diversos estudos científicos apontam que a ansiedade gera respostas inflamatórias ao organismo, indicando que a suplementação de nutrientes com atividade anti-inflamatória, como os ácidos graxos poliinsaturados, exercem um papel fundamental como coadjuvantes no tratamento

O ômega 3 é um dos principais ácidos graxos poliinsaturados retratados na literatura. É composto pelo ácido eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), e por ser um nutriente essencial, a única forma de sua obtenção é por meio de uma dieta rica em peixes, frutos do mar, sementes e oleaginosas, ou pela suplementação que pode ser de origem marinha ou vegana. 

Indivíduos que sofrem de transtornos de humor possuem menor quantidade de ômega 3 no sangue e cérebro comparado a indivíduos saudáveis com as mesmas características, e menor concentração de DHA nos eritrócitos e no plasma sanguíneo. Sendo assim, sua suplementação se torna essencial para a redução dos sintomas de ansiedade e comportamentos relacionados.

Alguns mecanismos fisiológicos são propostos para explicar os efeitos benéficos da ingestão de ômega 3, podemos salientar os que obtiveram resultados relevantes: a regulação inflamatória e neuroinflamatória; a neurogênese dos neurônios hipotalâmicos; e a modulação do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF)6.

No mecanismo de regulação inflamatória, observou-se que a suplementação de ômega 3 (2085 mg EPA, 348 mg DHA) em 68 pacientes durante 12 semanas reduziu 14% do estímulo da citocina pró-inflamatória Interleucina-6 e reduziu em 20% os escores de ansiedade. A Interleucina-6 é uma das principais citocinas ligadas aos processos fisiológicos que causam danos ao organismo em indivíduos com ansiedade.

O aumento do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) após suplementação de ômega 3 também representou uma importante resposta do organismo, pois foi constatado que há redução de BDNF em pessoas com transtornos de ansiedade. Após 12 semanas de suplementação de ômega 3 (147 mg EPA, 1470 mg DHA) obteve-se aumento do BDNF sérico de pacientes internados em Unidade de Tratamento Intensivo, levando assim à redução do Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT). Este transtorno gera reações físicas e emocionais após uma situação de grande impacto que pode culminar em perda de memória, ansiedade e humor depressivo. O TEPT é muito comum e pode durar anos ou uma vida inteira se não houver o controle adequado.

Outro mecanismo que se mostrou relevante no cenário de equilíbrio dos mecanismos fisiológicos da ansiedade foi a neurogênese dos neurônios hipotalâmicos. Observou-se que em modelos animais a alimentação rica em ácidos graxos saturados levou a apoptose de células hipotalâmicas, e consequentemente desregulou o metabolismo e ocasionou ganho de peso nos animais. No entanto, a ingestão de dieta hiper lipídica associada com ômega 3 gerou reparação funcional de células do hipotálamo e neurogênese de neurônios anorexígenos, o que possibilitou retardar o ganho de peso dos animais, além de gerar mais energia para o desempenho físico e gasto calórico. Essa vertente pode ser importante no tratamento da ansiedade, uma vez que eles podem estar associados ao quadro de compulsão alimentar e ganho de peso.  O desenvolvimento de comportamentos de ansiedade também foi reduzido em ratos com dieta rica em EPA associado a normalização dos níveis de dopamina no estriado ventral13,14.  Reduções significativas nos escores de ansiedade e raiva também foram observados com a administração 2250 mg EPA e 500 mg DHA por 3 meses em dependentes químicos em tratamento

A ansiedade também pode estar relacionada com a menor variação do tempo de batimentos cardíacos por afetar a atividade do nervo vago. Este desequilíbrio pode elevar a inflamação do corpo e aumentar o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, a ingestão de ômega 3 demonstrou potencial melhora desta variação, reduzindo os riscos cardiovasculares e doenças associadas, como a pressão arterial alta6. O mesmo foi demonstrado em pacientes com quadro de pós infarto no miocárdio (n = 52), que revelaram diminuição nos sintomas de depressão e ansiedade após suplementação de 30 dias com 465 mg EPA e 375 DHA

Entretanto, existem outras vertentes também promissoras a respeito dos estudos relacionados aos distúrbios de comportamento e humor. Uma das frentes que ganha força neste contexto é o eixo intestino-cérebro-microbiota. O desequilíbrio entre os tipos de bactérias que compõem a microbiota aumenta a permeabilidade intestinal o que provoca o desenvolvimento de um quadro inflamatório que pode agravar os transtornos psíquicos uma vez que eles também estão associados à inflamação. A melhor recomendação é uma dieta rica em fibras, as quais são fermentadas no intestino produzindo ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato), que são importantes para manter o equilíbrio do microbioma intestinal. A ingestão de alimentos e suplementos com propriedades anti-inflamatórias, como o ômega 3 também são essenciais para o auxílio na redução do quadro inflamatório ocasionado por esta disbiose.

Mesmo não havendo um consenso na literatura, é recomendável que a suplementação de ômega 3 seja realizada após as principais refeições uma vez que as células terão mais energia para potencializar as funções deste nutriente e reduzirá os desconfortos gastrointestinais como refluxo e sabor residual que podem ser sentidos após a ingestão. Os efeitos podem ser sentidos pelo corpo a partir de 30 dias de suplementação, podendo se estender até uma média de 12 meses para mais. Sendo assim, um acompanhamento nutricional e psiquiátrico é necessário para avaliar a evolução de cada caso. As quantidades ofertadas de EPA podem variar em torno de 460 – 2300 mg, e de DHA entre 150 – 400 mg de acordo com a linha terapêutica e o tipo de transtorno de ansiedade que está sendo exposto. 

Diante do atual cenário em que vivemos com a  ansiedade ganhando uma proporção epidemiológica alarmante em todo o mundo, com desfechos por muitas vezes fatais, é relevante se pensar não apenas na terapia farmacológica, como também em terapias alternativas relacionadas à melhoria de hábitos de vida e alimentares associados à suplementação de um nutriente reconhecido por seus benefícios em diversas frentes de atuação, como o ômega 3 que se mostra extremamente promissor na modulação dos transtornos de comportamento de humor como a ansiedade. É importante ressaltar que o ômega 3 não pode ser receitado isolado para terapia dos transtornos de ansiedade, a não ser que haja indicação médica.

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Referências:

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