Muito se fala da relação entre colágeno e artrose, mais precisamente sobre o consumo de colágeno para o tratamento da artrose. Neste post, você aprenderá tudo o que precisa saber sobre o assunto.

A artrose e o desconforto causado por ela

A osteoartrose, popularmente conhecida como artrose, costuma gerar um intenso desconforto nas regiões onde ocorrem o desgaste do tecido cartilaginoso e das articulações, presentes nas extremidades ósseas. O tecido cartilaginoso é composto pela cartilagem hialina, cuja a função é permitir o movimento das articulações de forma efetiva e indolor.

Conforme a cartilagem hialina se deteriora, os movimentos ficam limitados e o indivíduo pode passar a sentir dor e muito desconforto ao se movimentar.

Diferentes estudos epidemiológicos (1, 2, 3) mostram que a artrose é mais prevalente na população adulta com mais de 50 anos do que em pessoas mais jovens. Ainda que se trate de um quadro influenciado por diferentes fatores, parece consenso assumir que a soma deles ao longo dos anos aumenta gradativamente as chances de desenvolvimento da artrose. Quer saber quais são?

Fatores de risco de origem genética

De acordo com um estudo (4) publicado em 2016 no renomado periódico GENE, a menor ativação do gene GNL3 pode aumentar o risco de desenvolvimento da artrose. Isso porque, ele é responsável por estimular a formação do tecido sinovial que reveste as articulações e amortece o impacto entre os ossos.  

A expressão dos genes não é algo que conseguimos controlar, entretanto pode sofrer influência do estilo de vida e alimentação. Quanto maior forem os cuidados com a saúde e melhor os hábitos saudáveis, menores são as chances de descompasso da expressão gência.

Outra forma de se considerar o risco de ordem genética é quando há prevalência aumentada em pessoas de um grupo familiar quando comparadas à população geral. Há indícios de que, em alguns casos, a artrose possa sofrer influências hereditárias. Entretanto, este tipo de observação tem menor precisão científica até o momento.

Fatores de risco bioquímicos

Marcadores do Metabolismo Ósseo e Cartilaginoso

Pesquisas recentes (5)  com relação ao diagnóstico de osteoartrose têm mensurado os níveis sanguíneos, sinoviais ou urinários de marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo e cartilaginoso. A concentração dessas moléculas  se relacionam tanto à formação quanto à degradação da cartilagem.

Entre os marcadores bioquímicos mais estudados estão a piridinolina e a desoxipiridinolina, hidroxiprolina, o ácido hialurônico sérico, as proteínas oligoméricas de matriz cartilaginosa (COMP), epítopos de sulfato de condroitina, pró-peptídeos do pró-colágeno tipo II.

Dosar essas moléculas são úteis tanto para identificação de indivíduos com maiores chances de desenvolver artrose, como para avaliar a resposta terapêutica de alguma substância.

Outro método de análise utilizado para o diagnóstico da artrose é a sinoviálise, em que o líquido presente entre as articulações é analisado. O método apresenta a contagem de leucócitos, a qual precisa ser menor que 2.000 células/mm3, e não apresentar outras anormalidades.

Cabe salientar que existem características inflamatórias com contagens leucocitárias mais altas e, ao mesmo tempo, elevação dos níveis proteicos. Se forem encontrados valores muito altos é preciso investigar a presença de outras doenças relacionadas como a microcristalina ou artrite séptica.

Fatores de risco ambientais

Por fatores de risco ambientais, entende-se tanto elementos que podem estar presentes no ambiente propriamente dito (clima, exposição a toxinas, etc.) quanto aos hábitos de vida da pessoa.

E certos fatores ambientais podem aumentar o risco para o desenvolvimento da artrose. Entre eles, destacam-se os seguintes:

  • poluentes, como a sílica (principal constituinte da areia), amianto, subprodutos de motores e solventes orgânicos;
  • prática de esportes como corrida, futebol, ginástica olímpica e algumas modalidades de luta;
  • presença de patologias como diabetes, hipotireoidismo.

Como tratar artrose 

Normalmente, ao indivíduo diagnosticado com artrose é prescrito analgésicos, anti-inflamatórios e, em casos mais graves, medicamentos psicotrópicos (analgésicos narcóticos).

Fisioterapia e terapia ocupacional também são importantes para o tratamento da artrose, porque ajudam o indivíduo a retomar seus movimentos comprometidos pela manifestação clínica da doença.

Elas ainda permitem ao indivíduo aprender formas de executar movimentos cotidianos para não agravar a inflamação causada pela doença.

O colágeno tipo 2 também vem sendo recomendado por alguns especialistas e a explicação está a seguir.

Colágeno e Artrose: a importância da suplementação de colágeno no tratamento da doença

O colágeno, especialmente o do tipo 2, vem sendo utilizado para o tratamento da artrose. Isso porque, ele é fundamental para a manutenção de alguns tecidos, incluindo as cartilagens presentes nas articulações.

Uma revisão da literatura (6) sobre o uso do colágeno hidrolisado (misturas de peptídeos de colágeno considerados como nutracêuticos) para tratar a osteoartrite e outros distúrbios articulares, apontou que os peptídeos bioativos de colágeno tipo 2 quando ingeridos por via oral, são absorvidos rapidamente pelo intestino e se acumulam na cartilagem.

A partir daí observou-se um significativo aumento da síntese dos componentes da matriz extracelular. Os achados sugerem mecanismos que podem ajudar pacientes afetados por distúrbios articulares, como a osteoartrite/artrose (OA).

Confira a seguir, algumas evidências sobre a eficácia do colágeno para o tratamento da artrose:

Estudos in vitro (em células)

O estudo “Benefícios da ingestão de colágeno para o organismo” avaliou pesquisas in vitro (realizadas em cultura celular) que demonstraram possíveis benefícios do colágeno para o corpo humano.

Foi constatado que células tratadas com amostras de colágeno hidrolisado e super hidrolisado induzem aumentos importantes na produção de colágeno em uma cultura após 48 horas do estímulo sem efeitos citotóxicos.

Estudos in vivo (em animais)

Um resultado bastante promissor sobre o consumo de colágeno tipo 2 foi visto em um estudo (7) com cães com artrose no quadril, em que a suplementação aumentou a produção do ácido hialurônico sérico, substancia também presente no tecido cartilaginoso. Isso mostrou que a suplementação com colágeno tipo 2 não apenas melhora a produção de colágeno como também de outros componentes presentes na estrutura da cartilagem.  

Os 10 cães incluídos no experimento apresentaram melhoras no movimento da articulação acometida pela artrose, bem como aumento considerável da força muscular após o aumento dos níveis de colágeno tipo 2. Com este estudo, foi possível perceber que o colágeno tipo 2 é benéfico para as articulações, sugerindo eficácia no tratamento da artrose.

Outra pesquisa (8) feita em diferentes modelos animais demonstrou os efeitos da glicina (um componente do colágeno) na inflamação da artrose. Os resultados foram verificados principalmente na redução da dor da artrose de joelho e quadril.

Estudos clínicos (em humanos)

Colágeno tipo II x glicosamina + condroitina

Várias são as ações do colágeno na artrose, podendo ser até mais eficiente do que alguns tipos de medicamentos. Testes preliminares demonstraram a segurança e eficácia em comparação com a combinação de condroitina e glicosamina para tratar a osteoartrose dos joelhos (9).

Os resultados indicaram que o colágeno foi mais eficiente que o uso dos dois ativos juntos.

Efeito analgésico

Estudos recentes (10) mostram que o colágeno tipo 2 enzimaticamente hidrolisado (peptídeo bioativo de colágeno tipo 2) é absorvido e distribuído aos tecidos articulares e tem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.

O estudo demonstrou que os peptídeos bioativos de colágeno tipo 2 são potenciais agentes terapêuticos como suplementos nutricionais para o manejo da osteoartrose e manutenção da saúde articular.

Colágeno para articulação do joelho

Já um outro estudo (11) mostrou melhora no desconforto da articulação do joelho em praticantes de atividade física após 12 semanas de suplementação diária com 5 g com peptídeos bioativos de colágeno específico.

Colágeno para dor articular

Uma pesquisa (12) avaliou a eficácia e a segurança de um suplemento alimentar feito com colágeno hidrolisado por 6 meses em indivíduos com dor articular nos membros inferiores ou superiores ou na coluna lombar.

Os resultados demonstraram uma melhora de pelo menos 20% da resposta clínica dos pacientes.

Um outro estudo (13) demonstrou que a ingestão do colágeno tipo 2, trouxe conforto na articulação do joelho. Pessoas com maior deterioração articular, e com menor consumo de proteína de carne em suas dietas habituais, se beneficiaram mais da suplementação.

Uma outra pesquisa (14) mostrou que os peptídeos de colágeno são potenciais agentes terapêuticos como suplementos nutricionais tanto na manutenção da saúde articular quanto no tratamento da osteoartrite.

Conclusão 

Através dos estudos analisado, podemos entender que existem fortes indícios de que o uso do colágeno tipo 2 é o mais eficaz no tratamento de lesões nas cartilagens de articulações, como acontece na artrose.

Além disso, pessoas que não possuem o diagnóstico da doença podem se beneficiar da suplementação de colágeno hidrolisado tipo 2, tendo em vista o caráter protetor e de manutenção da saúde das articulações. Isso porque, com o passar dos anos, é natural que os níveis de colágeno passem a apresentar declínio gradativo.

Assim, é recomendado que após certa idade se faça suplementação de colágeno, especialmente do colágeno tipo 2, bem como manter uma alimentação equilibrada e o consumo satisfatório de água. Esses hábitos são importantes para garantir a máxima absorção do suplemento de colágeno.