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Ômega 3 e depressão: qual é a relação?

Ômega 3 e depressão.
7 minutos de leitura

A depressão é tida por muitos profissionais da saúde como o “mal do século”. Isso porque, essa doença é muito incapacitante e, se não tratada de forma eficaz, pode se tornar crônica e durar a vida inteira. Então, se pudermos preveni-la ou tratá-la logo no começo, o ganho é imenso.

O ômega 3 têm um papel fundamental no tratamento de diversas as doenças, inclusive na depressão. Mas, infelizmente, é um nutriente escasso na dieta da maioria das pessoas que vivem no ocidente. 

O nutriente atua sobre a função cognitiva, ajuda a estabilizar os níveis de dopamina e serotonina e potencializa os efeitos dos antidepressivos. Esses efeitos, junto do tratamento medicamentoso ideal, podem ser de grande auxílio na recuperação do paciente.

Ômega 3 ajuda no tratamento da depressão?

O ômega 3 é um potencial auxiliador no tratamento da depressão.

Convém lembrar que, uma pessoa em tratamento para a doença não deve abandonar os medicamentos tradicionais prescritos pelo médico psiquiatra para usar apenas suplementos. Porém, é muito válido que o ômega 3 seja usado como coadjuvante no tratamento.

Inclusive, estudos ressalvam que o ômega 3 é responsável por uma melhor comunicação entre neurônios, protege contra a morte celular cerebral, é um dos responsáveis pelo revestimento do neurônio (bainha de mielina) e auxilia na produção de serotonina e dopamina, hormônios responsáveis pela sensação de felicidade e bem-estar.

O que é depressão?

A depressão é uma doença que provém da alteração de humor. Porém, dentro da psiquiatria, o humor é determinado a partir de dois parâmetros, o nível de energia (física e mental) e o de sensibilidade (ao prazer e a dor, também, tanto física quanto mental).

O humor é uma linha que está continuamente em oscilação entre o bom e o mau humor (normal, pois tem dias que estamos melhores e outros piores), porém, no caso da depressão, existe um gatilho que altera drasticamente esse oscilação para uma constante queda que tende-se a persistir em baixa (mau humor) por no mínimo duas semanas em diante.

Por isso que existe diferença entre estar triste e ter depressão, pois a tristeza é algo natural que vai variar conforme o dia, já a depressão é algo que se mantém constante, em uma queda muito brusca de humor.

Além disso, a depressão gera uma queda acentuada de energia (a famosa fadiga) e mental (diminuição de concentração e velocidade de raciocínio).

Outra diminuição causada pela depressão é a da sensibilidade, ou seja, a diminuição do prazer, onde a pessoa começa a perder a visão do “colorido” e do gosto das coisas prazerosas, dando a sensação de que nada mais tem sabor ou vida (o famoso mundo cinza/sem cor).

E, em alguns casos, pode ocorrer o aumento da sensibilidade a dor, gerando ansiedade e angústia. Em alguns casos pode até ocorrer a falta de sensibilidade, o que causa a perda de empatia com qualquer coisa (apatia).

Deixando claro, os principais sintomas característicos da depressão é a perda de energia (física e mental) e da sensibilidade ao prazer das coisas. E esses sintomas podem ou não vir atrelados a uma tristeza profunda, porém, uma pessoa pode ter depressão sem estar necessariamente triste, tendo um ou os dois sintomas principais que comentamos.

Ômega 3 no tratamento da depressão

É cada vez maior o número de cientistas interessados em encontrar uma forma de prevenir e tratar a depressão de modo natural. Uma das descobertas é de que pessoas que consomem mais peixes de água fria são as que menos apresentam quadros depressivos.

A explicação seria a melhora da saúde cerebral pela atuação do EPA e do DHA, sendo esta apontada como uma combinação eficaz se comparada ao não tratamento.

EPA e DHA são formas de ômega 3, encontrados em alimentos e nos suplementos.  Ambos não são produzidos pelo corpo humano e precisam ser consumidos através da dieta, pois têm papéis importantes no funcionamento do nosso organismo.

Essas duas formas de ômega 3 ajudam a manter estáveis os níveis da dopamina e serotonina (neurotransmissores) no cérebro, estimulando o crescimento dos neurônios cerebrais, além de melhorar o fluxo sanguíneo nessa área.

O ômega 3 ainda pode potencializar o efeito do antidepressivo e melhorar os sintomas do transtorno bipolar. Vários estudos demonstram seus benefícios.

Tanto que o uso do ômega 3 no tratamento da depressão já faz parte da prescrição de muitos profissionais da saúde, inclusive de médicos psiquiatras.

Evidência na literatura científica sobre o uso de ômega 3 no tratamento da depressão

Em 2014, um pesquisador chamado Giuseppe Grosso, junto com seus colegas da Universidade de Catania na Itália, publicaram uma revisão¹ mostrando como a falta do ômega 3 estava associada a várias desordens psíquicas, incluindo a depressão.

Além da deficiência do ômega 3, a inflamação causada pelo desbalanço entre o ômega 3 e 6 também foi relacionada com a maior propensão ao desenvolvimento de uma depressão ou ansiedade.

Dessa forma, os pesquisadores sugeriram o uso de suplementos de ômega 3 para a prevenção de desordens psiquiátricas.

Porém, apesar das associações serem relevantes, são necessárias mais investigações sobre os mecanismos biológicos para a criação de diretrizes sobre o uso do ômega 3 no tratamento da depressão.

Mas, um fato que nenhum especialista discute, é que pessoas com depressão podem apresentar baixos níveis ômega 3 no sangue. E não só na depressão, a falta do ômega 3 também ocorre para outras doenças psiquiátricas. Foi o que mostrou uma pesquisa² holandesa de 2018.

Foram analisados os níveis de ômega 3 e ômega 6 nos exames de sangue de 304 pacientes com diagnóstico de depressão, 548 pacientes com diagnóstico de ansiedade, 529 pacientes com diagnóstico conjunto de depressão e ansiedade e 897 pacientes com transtornos remetidos a depressão ou a ansiedade.

Os níveis sanguíneos de ômega 3 e ômega 6 desses pacientes foram comparados com exames de 634 pessoas saudáveis.

Como resultado, foi visto que todos os pacientes com depressão e/ou ansiedade apresentavam níveis mais baixos de ômega 3 do que as pessoas sem a doença. Não foi visto alterações em relação aos níveis de ômega 6.

Reforçando ainda mais, uma atualização sistemática realizada em 2019 a partir da revisão² de dado publicados entre 1980 e 2019, ratificou que a ingestão alimentar de peixes gordurosos, ricos em ômega 3, está ligada a um risco reduzido de desenvolvimento de quadros depressivos.

E o EPA e o DHA se apresentaram uma combinação de capacidade anti-inflamatória crucial para o impedimento do desenvolvimento da depressão.

Além disso, uma análise específica realizada no Reino Unido, entre 2000 e 2007, resultou em uma correlação da baixa incidência de ômega 3 com a prevalência, ao longo do tempo, de transtornos mentais e depressão para quem já foi diagnosticado.

Converse com médico e inclua o suplemento de ômega 3 na sua rotina diária, para complementar e potencializar o tratamento da depressão.

Quer saber mais?

Referências:

1- GROSSO, Giuseppe. Omega-3 fatty acids and depression: scientific evidence and biological mechanisms. 2014. Oxidative medicine and cellular longevity. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3976923/pdf/OMCL2014-313570.pdf> Acessado em 27/07/2020.

2- THESING, Carisha S. Omega-3 and omega-6 fatty acid levels in depressive and anxiety disorders. 2018. Psychoneuroendocrinology. Disponível em <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S030645301730481X?via%3Dihub> Acessado em 27/07/2020.

3- Ta-Wei Guu, et al. A multi-national, multi-disciplinary Delphi consensus study on using omega-3 polyunsaturated fatty acids (n-3 PUFAs) for the treatment of major depressive disorder. 15 de março de 2020. PubMed. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32090746/> Acessado em 27/07/2020.

4- Canal Saúde da Mente. O que é depressão. 3 de dezembro de 2019. YouTube. Disponível em <https://youtu.be/kxN6Va4etLw> Acessado em 27/07/2020.

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Nutricionista e Mestre em Ciências pela UNIFESP.

Experiência acadêmica em pesquisa científica. Atua como professora convidada em cursos de graduação e pós graduação na área da saúde.

Profissional com sólida formação em pesquisa e inovação. Atua na interseção entre o desenvolvimento de produtos com base em ciências e inovação para a saúde, e o marketing de conteúdo.

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5 comentários em “Ômega 3 e depressão: qual é a relação?”

  1. Pingback: Como tomar ômega 3 para tratar a depressão? | Blog Vhita

  2. Esse ano tive covid 19 e tive uma baixa cognitiva muito preocupante. Os distúrbios na memória e desordens cognitivas já estavam prejudicando meu trabalho. A neuro me falou que em breve voltaria ao normal, o que não ocorreu após 6 meses. Passei a tomar omega 3 por conta própria. Em pouco tempo tive uma melhora impressionante. Hoje com 95% já recuperada, até o sono melhorou. Hoje eu “apago” e acordo de manhã com um sono reparador.

  3. Ricardo Maciel Vilas Boas

    Boa tarde!
    Preciso de omega 3 para tratamento da ansiedade.
    Faço uso de 4 caps da vhita por dia.
    É o suficiente para alcançar resultados contra a ansiedade e depressão leve?
    Em qto tempo vou sentir alguma diferença com essa dosagem?
    Poderia alterar a dose para melhorar os resultados ???
    Fico no aguardo!

    1. Ricardo, tudo bem?

      Da mesma forma que para depressão, o ômega 3 atua no tratamento e prevenção da ansiedade ajudando a amenizar os sintomas. Recomendamos para esse caso o consumo de 2 cápsulas (2000 mg) do nosso ômega 3 ao dia, que contém 849mg de EPA e 559mg de DHA no total. Para o consumo de 4 cápsulas apenas com orientação médica. 🥰

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