Ômega 3 e depressão: qual é a relação?

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Ômega 3 e Depressão

A depressão é tida por muitos profissionais da saúde como o “mal do século”. Isso porque, essa doença é muito incapacitante e, se não tratada de forma eficaz, pode se tornar crônica e durar a vida inteira. Então, se pudermos preveni-la ou tratá-la logo no começo, o ganho é imenso.

O ômega 3 têm um papel fundamental no tratamento de diversas as doenças, inclusive na depressão. Mas, infelizmente, é um nutriente escasso na dieta da maioria das pessoas que vivem no ocidente. Veja a seguir, a influência do ômega 3 na depressão.

O que é depressão?

A depressão é uma doença que provém da alteração de humor. Porém, dentro da psiquiatria, o humor é determinado a partir de dois parâmetros, o nível de energia (física e mental) e o de sensibilidade (ao prazer e a dor, também, tanto física quanto mental).

O humor é uma linha que está continuamente em oscilação entre o bom e o mau humor (normal, pois tem dias que estamos melhores e outros piores), porém, no caso da depressão, existe um gatilho que altera drasticamente esse oscilação para uma constante queda que tende-se a persistir em baixa (mau humor) por no mínimo duas semanas em diante.

Por isso que existe diferença entre estar triste e ter depressão, pois a tristeza é algo natural que vai variar conforme o dia, já a depressão é algo que se mantém constante, em uma queda muito brusca de humor.

Além disso, a depressão gera uma queda acentuada de energia (a famosa fadiga) e mental (diminuição de concentração e velocidade de raciocínio).

Outra diminuição causada pela depressão é a da sensibilidade, ou seja, a diminuição do prazer, onde a pessoa começa a perder a visão do “colorido” e do gosto das coisas prazerosas, dando a sensação de que nada mais tem sabor ou vida (o famoso mundo cinza/sem cor).

E, em alguns casos, pode ocorrer o aumento da sensibilidade a dor, gerando ansiedade e angústia. Em alguns casos pode até ocorrer a falta de sensibilidade, o que causa a perda de empatia com qualquer coisa (apatia).

Deixando claro, os principais sintomas característicos da depressão é a perda de energia (física e mental) e da sensibilidade ao prazer das coisas. E esses sintomas podem ou não vir atrelados a uma tristeza profunda, porém, uma pessoa pode ter depressão sem estar necessariamente triste, tendo um ou os dois sintomas principais que comentamos.

Ômega 3 no tratamento da depressão

É cada vez maior o número de cientistas interessados em encontrar uma forma de prevenir e tratar a depressão de modo natural. Uma das descobertas é de que pessoas que consomem mais peixes de água fria são as que menos apresentam quadros depressivos.

A explicação seria a melhora da saúde cerebral pela atuação do EPA e do DHA, sendo esta apontada como uma combinação eficaz se comparada ao não tratamento.

Isso porque, ambos os ácidos graxos ajudam a manter estáveis os níveis da dopamina e serotonina (neurotransmissores) no cérebro, estimulando o crescimento dos neurônios cerebrais, além de melhorar o fluxo sanguíneo nessa área.

O ômega 3 ainda pode potencializar o efeito do antidepressivo e melhorar os sintomas do transtorno bipolar. Vários estudos demonstram seus benefícios.

Tanto que o uso do ômega 3 no tratamento da depressão já faz parte da prescrição de muitos profissionais da saúde, inclusive de médicos psiquiatras.

Artigos sobre Ômega 3 e Depressão

Em 2014, um pesquisador chamado Giuseppe Grosso, junto com seus colegas da Universidade de Catania na Itália, publicaram uma revisão¹ mostrando como a falta do ômega 3 estava associada a várias desordens psíquicas, incluindo a depressão.

Além da deficiência do ômega 3, a inflamação causada pelo desbalanço entre o ômega 3 e 6 também foi relacionada com a maior propensão ao desenvolvimento de uma depressão ou ansiedade.

Dessa forma, os pesquisadores sugeriram o uso de suplementos de ômega 3 para a prevenção de desordens psiquiátricas.

Porém, apesar das associações serem relevantes, são necessárias mais investigações sobre os mecanismos biológicos para a criação de diretrizes sobre o uso do ômega 3 no tratamento da depressão.

Mas, um fato que nenhum especialista discute, é que pessoas com depressão podem apresentar baixos níveis ômega 3 no sangue. E não só na depressão, a falta do ômega 3 também ocorre para outras doenças psiquiátricas. Foi o que mostrou uma pesquisa² holandesa de 2018.

Foram analisados os níveis de ômega 3 e ômega 6 nos exames de sangue de 304 pacientes com diagnóstico de depressão, 548 pacientes com diagnóstico de ansiedade, 529 pacientes com diagnóstico conjunto de depressão e ansiedade e 897 pacientes com transtornos remetidos a depressão ou a ansiedade.

Os níveis sanguíneos de ômega 3 e ômega 6 desses pacientes foram comparados com exames de 634 pessoas saudáveis.

Como resultado, foi visto que todos os pacientes com depressão e/ou ansiedade apresentavam níveis mais baixos de ômega 3 do que as pessoas sem a doença. Não foi visto alterações em relação aos níveis de ômega 6.

Reforçando ainda mais, uma atualização sistemática realizada em 2019 a partir da revisão² de dado publicados entre 1980 e 2019, ratificou que a ingestão alimentar de peixes gordurosos, ricos em ômega 3, está ligada a um risco reduzido de desenvolvimento de quadros depressivos.

E o EPA e o DHA se apresentaram uma combinação de capacidade anti-inflamatória crucial para o impedimento do desenvolvimento da depressão.

Além disso, uma análise específica realizada no Reino Unido, entre 2000 e 2007, resultou em uma correlação da baixa incidência de ômega 3 com a prevalência, ao longo do tempo, de transtornos mentais e depressão para quem já foi diagnosticado.

Ômega 3 ajuda no tratamento da depressão?

Após ler os estudos acima, só podemos concluir que o ômega 3 é um potencial auxiliador no tratamento da depressão.

Convém lembrar que, uma pessoa em tratamento para a doença não deve abandonar os medicamentos tradicionais prescritos pelo médico psiquiatra para usar apenas suplementos. Porém, é muito válido que o ômega 3 seja usado como coadjuvante no tratamento.

Inclusive, estudos ressalvam que o ômega 3 é responsável por uma melhor comunicação entre neurônios, protege contra a morte celular cerebral, é um dos responsáveis pelo revestimento do neurônio (bainha de mielina) e auxilia na produção de serotonina e dopamina, hormônios responsáveis pela sensação de felicidade e bem-estar.

Qual é a quantidade de EPA e DHA diária para a suplementação?

E já que o ômega 3 ajuda no tratamento da depressão, qual é a quantidade de EPA e DHA  diária para a suplementação?

O guia alimentar para população brasileira indica a ingestão de duas a três porções de peixe semanalmente. Com isso, espera-se que seja alcançado o mínimo necessário de ômega 3 para manter a saúde de um indivíduo.

No entanto, sabemos que para alcançar o objetivo de auxiliar a tratar doenças, é preciso uma quantidade maior de ômega 3 na corrente sanguínea. Por isso, muitos profissionais recorrem a prescrição de suplementos de ômega 3.

Quanto maior for a concentração de DHA e EPA no suplemento, mais puro e concentrado é o óleo. Dito isso, vamos às dosagens diárias!

Os pacientes com histórico de problemas cardíacos, o consumo indicado é de em média 2000 mg de EPA e DHA por dia. Já para as pessoas com níveis elevados de triglicérides e sintomas de depressão e também ansiedade, o indicado é consumir entre 1200 mg e 4000 mg de ômega 3 de boa qualidade diariamente — quantidade obtida por meio de suplementação e com acompanhamento médico ou de um nutricionista.

Por quanto tempo é preciso tomar o ômega 3 para a depressão?

Para notar os efeitos da suplementação, é preciso uma dose de paciência, pois são necessários seis meses para os efeitos aparecerem. A partir daí, o médico ou nutricionista receitarão a dose de manutenção indicadas conforme a necessidade do organismo do indivíduo.

Vale ressaltar, que uma suplementação diária de 500mg de Ômega 3 não possui tempo limite de suplementação, a não ser para pessoas com hemofilia ou com qualquer outro problema relacionado a coagulação sanguínea, para gestantes sem acompanhamento médico ou de nutricionista e também para alérgicos a peixe. Pessoas com prótese cardíaca também devem evitar o consumo do nutriente.

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Referências:

1- GROSSO, Giuseppe. Omega-3 fatty acids and depression: scientific evidence and biological mechanisms. 2014. Oxidative medicine and cellular longevity. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3976923/pdf/OMCL2014-313570.pdf> Acessado em 27/07/2020.

2- THESING, Carisha S. Omega-3 and omega-6 fatty acid levels in depressive and anxiety disorders. 2018. Psychoneuroendocrinology. Disponível em <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S030645301730481X?via%3Dihub> Acessado em 27/07/2020.

3- Ta-Wei Guu, et al. A multi-national, multi-disciplinary Delphi consensus study on using omega-3 polyunsaturated fatty acids (n-3 PUFAs) for the treatment of major depressive disorder. 15 de março de 2020. PubMed. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32090746/> Acessado em 27/07/2020.

4- Canal Saúde da Mente. O que é depressão. 3 de dezembro de 2019. YouTube. Disponível em <https://youtu.be/kxN6Va4etLw> Acessado em 27/07/2020.

 
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