A estrutura química dos óleos e das gorduras é determinante para os classificar, e dentre essas classes, eles podem ser rotulados como simples, compostos e derivados. Os ácidos graxos (gorduras) fazem parte do grupo dos derivados, e o ômega 3, 6 ou o 9 são integrantes deste time.

Os ômegas são macromoléculas que realizam ações específicas no metabolismo, proporcionando diversos benefícios para a saúde – quando ingeridos nas quantidades adequadas. Entretanto, cada tipo de ômega é responsável por agir de uma maneira diferente no corpo, tendo vários fatores que os diferem entre si. 

Veja no vídeo abaixo a explicação da nutricionista e mestre em ciências, a Dra. Priscila Gontijo, sobre as diferenças e semelhanças entre os ômegas:

O que os ômegas 3, 6 e 9 têm em comum?

  • Estrutura

O fator principal que torna essas moléculas pertencentes da mesma família, é a semelhança de suas estruturas. Os ômegas 3, 6 e 9 são formados por uma cadeia de 18 a 22 carbonos, ou seja, são denominados de cadeia longa.

Estruturas dos ômegas 9, 6 e 3

Estruturas dos ômegas 9, 6 e 3

  • Insaturação

O termo insaturação se refere à dupla ligação que os carbonos possuem em sua cadeia e, neste caso, todos os ômegas possuem pelo menos uma dupla ligação. Isso faz com que pertençam ao grupo dos ácidos graxos insaturados.

Para a questão da insaturação ficar mais clara, podemos fazer uma analogia com uma casa em construção, onde os ácidos graxos são a casa, os carbonos são as paredes, e as insaturações as janelas. Poderíamos então construir casas sem janelas nas paredes (esses seriam os ácidos graxos saturados) ou com janelas nas paredes (ácidos graxos insaturados).

As “janelas” das casas não são colocadas em todas as paredes, e o fator determinante para definir o tipo de ômega (ou casa), é em qual posição (ou parede) a janela está localizada. Se a primeira insaturação (janela) está no terceiro carbono da cadeia (terceira parede da casa), temos um ômega 3. E o mesmo se aplica ao 6 e ao 9.

 Além disso, a insaturação deixa a molécula fragilizada e fácil de ser quebrada. Pensando na nossa analogia, uma parede com janela tem menos espaço para tijolos, logo, ela fica mais vulnerável a se quebrar, quando comparada à uma parede sem janela, toda feita de tijolos.

Quais as diferenças entre os ômegas 3, 6 e 9?

  • Posição da insaturação

Como já foi adiantado no tópico anterior, a posição em que aparece a primeira insaturação determina o tipo de ômega. Ou seja, se ela acontece no terceiro carbono da cadeia, a molécula se chama ômega 3, se aparece no sexto carbono da cadeia ele é ômega 6, se aparecer pela primeira vez no nono carbono da cadeia, ele é um ômega 9.

  • Número de insaturações

Dentre os ácidos graxos existe uma última divisão, os poli-insaturados. Esses são aqueles que possuem mais de uma insaturação, e os monoinsaturados, quando possuem apenas 1 insaturação.

Os ômegas 3 e 6 são ácidos graxos poli-insaturados, enquanto o ômega 9 é monoinsaturado.

  • Essencial e não essencial

Quando é necessário adquirir o nutriente por meio da alimentação pois o nosso corpo não é capaz de produzi-lo, ele é nomeado essencial. Neste caso, é fundamental ingerir a substância e estar atento às quantidades, pois o nutriente realiza a manutenção e o equilíbrio do metabolismo. Os ômegas 3 e 6 não são produzidos pelo corpo, ou seja, são considerados essenciais, enquanto o ômega 9 é fornecido pelo corpo, caracterizado como não essencial.

 

 

  • Para quê servem os ômegas 3, 6 e 9?

Como toda gordura, os ômegas são responsáveis por fornecer energia ao corpo, pela manutenção de órgãos e nervos em suas devidas posições e regularização da temperatura corporal. No entanto, eles se destacam por promoverem a formação de moléculas que desempenham papéis fundamentais no metabolismo, como as prostaglandinas e os mediadores lipídicos.

Dessa forma, eles conseguem estimular a produção do colesterol HDL (considerado bom), e realizam o transporte de substâncias lipossolúveis indesejadas pelo organismo, como o colesterol LDL (conhecido por ser o colesterol ruim), por isso essas gorduras são constantemente associados à diminuição do risco de doenças cardiovasculares.

São também responsáveis pela síntese de hormônios esteroides e células e moléculas do sistema imunológico, criando um ambiente inflamatório que auxilia no combate à infecções agudas ou inflamações crônicas.

Neste ponto está a principal diferença funcional entre os ômegas 3, 6 e 9. Enquanto as classes 3 e 9 proporcionam um perfil de citocinas anti-inflamatórias que ajudam a combater inflamações crônicas, o ômega 6 promove um perfil pró-inflamatório, adequado para combater lesões e infecções agudas. Sendo assim, os ômegas desempenham funções opostas.

  • Exemplos de ômega 3, 6 e 9

Você já ouviu falar de alguns nomes mega difíceis de ácidos que estão associados aos ômegas? Esses ácidos representam cada classe dos ômegas, portanto, são todos moléculas do grupo dos ômegas, mas de classes diferentes, vamos entender quem é quem?

Ômega 3: ácido eicosapentanoico (EPA), ácido decosahexaenoico (DHA), ácido alfalinolênico (ALA)

Ômega 6: ácido linoleico (LA) e ácido araquidônico (AA).

Ômega 9: ácido oleico

  • Onde encontrar os ômegas 3, 6 e 9?

O ômega 9, além de ser produzido pelo nosso corpo, é facilmente encontrado em ingredientes bastante utilizados na culinária brasileira, como o azeite de oliva e óleo de dendê.

O ômega 6  também é facilmente encontrado nos alimentos e ingredientes utilizados na culinária, como óleos de girassol, milho, canola e em gordura de animais.

Já o ômega 3 é encontrado na gordura de peixes, crustáceos, algas marinhas e sementes como chia e linhaça. Apesar de serem alimentos conhecidos, eles não são consumidos com a frequência recomendada para se obter o mínimo da necessidade diária de ômega 3. Outra maneira de suprir as necessidades do organismo pelo nutriente, é através da suplementação.

 

Tabela Resumo sobre Ácidos graxos insaturadosômega 3 6 9

 

Existe relação de consumo entre os ômegas 3, 6 e 9?

Sim, principalmente entre o ômega 6 e 3, pois não são produzidos pelo corpo e são metabolizados pelas mesmas enzimas, criando vias de sinalização opostas. Recomenda-se um proporção de 1:1 (para cada grama de ômega 6, uma de ômega 3) ou 2:1 de ω6/ω3.

Na alimentação da cultura ocidental, foi visto uma proporção de 16:1 ω6/ω3, muito acima do recomendado. Isso acontece pela facilidade com que o ômega 6 é encontrado nos alimentos mais consumidos pelos ocidentais, somado a dificuldade de consumir os alimentos fontes ômega 3 em quantidades adequadas.

Os  alimentos fontes de ômega 3 como os peixes gordos, crustáceos e algas, além de não fazerem parte da alimentação diária dos brasileiros, ainda precisariam ser consumidos em quantidades maiores para atingir a quantidade de ômega 3 diária necessária a saúde. Por isso, é muito difícil controlar o consumo de ômega 3 através dos alimentos.