No tratamento do câncer, um nutriente tem ganhado destaque e a valorização por profissionais da saúde que cuidam da nutrição desses pacientes: o ômega 3. Que tal entender como esse composto atua no tratamento do câncer?

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Ômega 3 e Câncer: relação entre consumo e tratamento

Mas por onde começa a relação entre o tratamento de câncer e o consumo de ômega 3? Tudo pode ser explicado por uma característica muito comum dessa doença, mas que muitas vezes é esquecida e deixada em segundo plano por conta da assustadora capacidade da doença em se alastrar: a inflamação.

Inflamação do organismo e câncer

A formação de qualquer tipo de tumor maligno tem uma relação forte com um processo de inflamação desenvolvido pelo corpo. Esse processo inflamatório pode ser iniciado por conta de diversos fatores, que variam entre quadros de obesidade, ação de radicais livres no organismo e desenvolvimento de doenças crônicas não tratadas corretamente. O processo inflamatório constante e intenso pode ser um dos vários fatores que desencadeiam o desenvolvimento de algum tipo de câncer em algum tecido do corpo. Além disso, a própria manifestação do câncer pode ser responsável pelo aumento da produção de marcadores inflamatórios no organismo humano.

Ômega 3 – Tratamento complementar ao câncer

O ômega 3, por sua vez, tem como uma de suas principais características metabólicas a capacidade de atuar diretamente no controle de processos inflamatórios. A ingestão isolada dessa gordura essencial, entretanto, não parece ser suficiente para inibir o desenvolvimento dessa doença.

O consumo de ômega 3 deve estar inserido em um contexto de alimentação balanceada, que é a base para qualquer tratamento clínico de sucesso. Por isso, orientação nutricional, suplementação adequada de ômega 3 e tratamento médico devem andar juntos.

Além da importante resposta anti-inflamatória (que pode ser protetora contra o câncer), o ômega 3 também pode ter ação específica no tratamento e melhora clínica de pacientes com cinco tipos de câncer específicos: de mama, de ovário, de próstata, de pulmão e do trato digestório. Que tal entender como ele atua em cada um dos casos?

Ômega 3 e câncer de mama

O câncer de mama é uma das doenças que mais acomete – e mata – mulheres em todo o mundo. Esse tipo de câncer apresenta grande relação com diagnóstico de obesidade. A obesidade tem como forte característica a inflamação do organismo. E através dessa relação, o uso do ômega 3 no tratamento do câncer de mama é visto como importante aliado do organismo, auxiliando a controlar aspectos metabólicos dessa doença.

Uma revisão literária feita por profissionais da Universidade de Medicina de Lisboa conseguiu explorar estudos que mostravam efeitos positivos do consumo de ômega 3 no tratamento do câncer de mama.

Tanto em estudos feitos com animais, quanto aqueles realizados em grupos de pacientes em tratamento do câncer, foi possível observar que a suplementação de ômega 3 atuou na supressão do desenvolvimento do tumor, como também promoveu ação protetora, reduzindo os riscos de manifestação da doença e além de ter resultados na literatura referente a melhora do bem estar do paciente após o diagnóstico com a suplementação do ômega 3 e manejo nutricional.

Ômega 3 e câncer de ovário

Muitas das ações que o ômega 3 consegue promover na nossa saúde são mediadas por receptores específicos desse composto que nossas células e tecidos com a presença desses receptores. Por conta desses receptores específicos é que o ômega 3 também consegue agir como inibidor de alguns tipos de câncer em tecidos como o ovário.

Sobre o cancêr de ovário, um grupo de cientístas do departamento de ciências farmacêuticas da Universidade do Estado de Washington testou a resposta das células cancerígenas do ovário à presença do ômega 3. Eles puderam perceber que a presença dos receptores específicos para ômega 3 nas células ovarianas, facilitou a ação antitumoral desse nutriente. Dessa maneira, foi possível constatar que o ômega 3 pode atuar como um importante aliado nas terapias e tratamentos para o câncer de ovário.

Ômega 3 e câncer de próstata

Para esse tipo de câncer a suplementação de ômega 3 ainda é bem ambígua entre os profissionais e estudiosos. Respostas positivas a suplementação como terapia complementar são observadas nesse tipo de câncer, principalmente referente a interação entre inflamação e o ômega 3, porém também há estudos relacionando a ausência de efeitos protetores com a suplementação devido ausência de interação de receptores ceulares.

O indicado é avaliar junto com o seu profissional se o seu estado clínico pode ser benefíciado com esse suplemento. Ainda mais que, o diagnóstico de câncer não é isolado, outros sintomas podem ser ameninazados e beneficiados com a suplementação do ômega 3.

Ômega 3 e câncer de pulmão

Fatores genéticos são associados a manifestação da doença, porém fatores ambientais como tabagismo, alimentação irregular e sedentarismo e local onde o paciente vive/trabalha também podem ser apontados como responsáveis pelo aumento da predisposição ao desenvolvimento dessa doença. Todos eles, de maneira geral, aumentam a produção de radicais livres, que atuam prejudicialmente nas células de todo o corpo – em especial, no tecido pulmonar.

O ômega 3 conta com uma importante característica antioxidante que pode ser relevante no controle da ação desses compostos prejudiciais. Uma revisão bibliográfica realizada sobre a ação de suplementos alimentares na saúde do sistema respiratório reforça esse efeito positivo do ácido graxo. Anulando o efeito dos radicais livres, o ômega 3 ajuda na melhora da qualidade de vida do paciente e também atua com efeito preventivo no desenvolvimento de novas lesões em células saudáveis.

Ômega 3 e câncer no trato digestório (pâncreas, intestino)

O câncer pode atingir diferentes órgãos no trato gastrointestinal de um indivíduo. Entretanto, dois se beneficiam do tratamento nutricional com ômega 3: o pâncreas e o intestino.

Câncer no intestino

A suplementação precoce de ômega 3 em pacientes com diagnóstico de câncer gastrointestinal, além de aumentar a função imunológica do indivíduo, também parece ter ação anti-tumoral, auxiliando no controle do crescimento das células. Isso foi o que relatou a meta-análise feita com estudos randomizados na China, sobre o efeito da suplementação de ômega 3 na dieta parenteral de indivíduos com câncer gástrico.

Câncer no pâncreas

Para pacientes com diagnóstico de câncer pancreático, o benefício da suplementação de ômega-3 na dieta parece ir além. Um estudo feito pelo departamento de cirurgia da Escola de Medicina Jikei, em Tóquio, avaliou 27 pacientes com câncer pancreático em quimioterapia, que tiveram sua dieta enteral suplementada com ômega-3 por 4 semanas. Esses indivíduos conseguiram combater o avanço do quadro de caquexia, que é  grave nesse tipo específico de câncer, aumentando significativamente sua massa muscular esquelética no período das 4 semanas.

Conclusão

O uso do ômega 3 como uma das terapias utilizadas no tratamento dessa doença ainda é assunto de muita discussão e pesquisa por parte da ciência médica. Entretanto, os benefícios apresentados nesse material mostram a capacidade que esse nutriente tem de atuar preventivamente e ativamente no controle de alguns tipos de câncer. Ainda existem muitas possibilidades de descoberta quando o assunto é o uso do ômega 3 nesse cenário e, por isso, as expectativas de especialistas no tema são muito positivas.

O consumo de ômega 3 precisa fazer parte de todo um cuidado nutricional, que começa com a valorização de uma alimentação equilibrada.  Por isso, o acompanhamento nutricional é um cuidado que qualquer pessoa deve valorizar para garantir o tratamento eficiente de um possível quadro de câncer, como também para atuar na prevenção dessa doença em pessoas de qualquer idade.

 

Quer saber mais sobre ômega 3? Veja esse breve vídeo explicando tudo sobre esse nutriente e seus benefícios!

 

 

 

 

Referências:

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  4. GUERTIN, Marie-Hélène et al. Effects of concentrated long-chain omega-3 polyunsaturated fatty acid supplementation before radical prostatectomy on prostate cancer proliferation, inflammation, and quality of life: Study protocol for a phase IIb, randomized, double-blind, placebo-controlled trial. BMC cancer, v. 18, n. 1, p. 64, 2018.
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