Ômega 3 para a Visão: o que você precisa saber

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Ômega 3 para a Visão: o que você precisa saber

Você sabia que além dos inúmeros benefícios para o coração e cérebro, o ômega 3 também pode ser um ótimo ajudante para a saúde dos nossos olhos?

O ômega 3 está presente em vários mecanismos que envolvem a funcionalidade de órgãos e tecidos que compõem a nossa visão, desde a superfície ocular até a retina e os nervos ópticos. Veja, à seguir, como a engrenagem ocular funciona e entenda como uma alimentação adequada em ômega 3 pode contribuir para uma visão mais saudável. 

Visão saudável 

Nossos olhos são formados por vários componentes, como a córnea, as glândulas, os ductos e as pálpebras, presentes na superfície ocular.  E pela retina, nervos e a mácula, o quais estão localizados na parte interna dos olhos e são responsáveis pela formação da imagem que enxergamos. 

Para mantermos um estado refrativo saudável e de bom desempenho e, para proteger as principais estruturas da visão contra doenças, todos os componentes precisam agir em sincronia

A responsabilidade de proteger os olhos é maior para os componentes da superfície ocular, afinal, são eles que fazem a conexão entre o ambiente externo e interno. Para isso, as pálpebras se fecham com o intuito de barrar fisicamente ciscos e bactérias.

Já as glândulas e os ductos produzem e secretam o filme lacrimal, que nada mais é do que o líquido presente em nossos olhos. 

O filme lacrimal é composto por 3 camadas uma líquida, uma com muco e outra com gorduras. Por causa dessa composição o filme lacrimal consegue lubrificar os olhos, não evapora e têm substâncias capazes de combater microrganismos. 

Qualquer fator que perturbe a o equilíbrio do sistema da superfície ocular pode perturbar a estabilidade do filme lacrimal e prejudicar a visão. 

Fatores que comprometem uma boa visão

  • Olhos ressecados

Também conhecida como a doença do olho seco, é um problema comum que afeta a superfície ocular. Tem alta prevalência e representa a queixa mais frequente para os oftalmologistas.

Tem uma incidência maior em pessoas mais velhas (5% a 30% dos indivíduos com mais de 50 anos), mulheres na pós-menopausa, quem usa lentes de contato e portadores de doenças autoimunes.

Os sintomas são: visão embaçada, sensibilidade à luz, irritação, queimação e coceira e podem restringir as atividades diárias com impacto negativo na qualidade de vida.

De acordo com os sintomas e os testes de diagnósticos é possível classificar a gravidade do ressecamento dos olhos em leve, moderada e grave. 

Quando em estágio grave, o ressecamento dos olhos costuma ser um problema secundário em portadores de doenças auto imunes como a síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e reação a transplantes. 

O diagnóstico é feito por médico oftalmologistas após aplicação de questionários e exames clínicos para pontuar a gravidade. 

Entre os exames clínicos que podem ser realizados estão o teste de estabilidade do filme lacrimal, teste para determinar o volume lacrimal (conhecido como teste de Schirmer),  tomografia, medição da osmolaridade da lágrima e avaliação da integridade da parede da córnea.

  • Estresse oxidativo

O estresse oxidativo é uma irritação que ocorre naturalmente nos olhos por conta do contato com o ar. Isso causa uma destruição de componentes celulares que contribuem para o desenvolvimento de processos inflamatórios, prejudicando a visão à longo prazo.

Naturalmente, nós temos algumas enzimas nos olhos que são capazes de eliminar o estresse oxidativo quando somos jovens, porém à longo prazo, é comum nosso organismo sofrer alterações e reduzir a ação dessas enzimas protetoras.

Além disso, citocinas inflamatórias presentes em muitas doenças da superfície ocular, também podem aumentar o estresse oxidativo nos olhos. Portanto, para evitar problemas na visão, é importante tratar inflamações rapidamente. 

  • Envelhecimento

O envelhecimento é um grande fator de risco para a visão, pois além de acentuar o estresse oxidativo, ainda promove diversas alterações inflamatórias no organismo.

Aumentando a concentração de substâncias inflamatórias e reduzindo as anti-inflamatórias e antioxidantes. 

Em estudos experimentais já foi visto que a suplementação de ômega 3 ajuda a prevenir a degeneração da retina, parte dos olhos responsável pela visão, sendo uma boa opção para evitar cegueira com o passar da idade.

Portanto os cuidado com a saúde ocular devem ser ainda maiores a medida que vamos envelhecendo.

Como tratar os fatores que comprometem a visão:

O primeiro tratamento sugerido geralmente são o uso das lágrimas artificiais para nutrir a superfície ocular, aumentar a lubrificação e, diluir a concentração de substâncias que causam inflamação.  

Os corticosteroides aplicado via colírios são eficazes no controle da inflamação da superfície ocular, mas seu uso está associado a efeitos adversos potencialmente graves, como glaucoma, catarata, aumento do risco de infecção e retardo na cicatrização de feridas. 

A ciclosporina A tem um melhor perfil de segurança, mas sua eficácia é menor, principalmente no curto prazo, e sua disponibilidade no mercado (principalmente na Europa) é atualmente limitada

Outras estratégias possíveis incluem, entre outras, oclusão pontual, solução oftálmica de salva-vidas , higiene das pálpebras, tratamento com luz intensa pulsada e colírios derivados do sangue.

As terapias anti-inflamatórias e antioxidantes também são consideradas abordagens terapêuticas, uma vez que visam interromper o círculo vicioso subjacente, em vez de fornecer apenas um alívio temporário sintomático. 

Nos últimos anos, o interesse pelo papel de alguns nutrientes  como o Ômega 3, a Vitamina C, Vitamina D, Vitamina A, Vitamina B12, Selênio, flavonóides e lactoferrina para a prevenção e tratamento do ressecamento dos olhos aumento bastante.

Vários estudos realizados in vitro e in vivo demonstraram o efeito benéfico de certos constituintes da dieta na saúde do sistema de superfície ocular. Dentre os nutrientes o ômega 3 se destacou porque ele está presente em vários componentes dos olhos, inclusive no filme lacrimal, e é ser um nutriente deficiente na alimentação da maioria das pessoas. 

Principais benefícios do Ômega 3 para a visão comprovados pela Ciência

O ômega 3 é uma família de gorduras fundamentais para a saúde. Elas estão presentes nas membranas celulares e oferecem ingredientes para a produção de várias substâncias biologicamente ativas.  

Apresentam propriedades anti-inflamatórias, anticoagulantes e anti-hipertensivas e regulam o metabolismo lipídico, a tolerância à glicose e as funções do sistema nervoso central. 

A importância do consumo regular de ômega 3 é mundialmente reconhecida por causa do seu efeito protetor contra doenças crônicas, como doenças cardíacas, câncer e doenças neurodegenerativas.

Uma das primeiras evidências clínicas de que o ômega 3 é importante para a saúde da superfície ocular veio de um grande estudo transversal envolvendo mais de 30.000 mulheres, o qual demonstrou a relação entre o baixo consumo de ômega 3 com o aumento do risco de desenvolvimento dos sintomas dos olhos secos.

Desde então, vários ensaios clínicos randomizados demonstraram a eficácia da suplementação de ômega 3 para o tratamento e prevenção dos olhos secos. Veja quais são os principais benefícios do ômega 3 para a visão comprovados cientificamente:

  • O ômega 3 aumenta a produção de resolvina

Um dos mecanismos biológicos pelo qual o ômega 3 atua na redução da inflamação em nosso organismo é a produção de resolvina, uma substância anti-inflamatória derivada do ômega 3 que impede o acúmulo de células que aumentam a inflamação e ainda potencializam a função de células que combatem a inflamação

A resolvina já foi vista como importante para a redução da inflamação na superfície ocular mantendo a integridade da córnea e estimulando a produção do filme lacrimal.

  • O ômega 3 aumenta a produção de proteínas que protegem os olhos

O ômega 3 estimula a produção da neuroprotectina D1 na córnea, uma proteína com ação anti-inflamatórias, epiteliotróficas e neuroprotetoras.

  • Melhora e fortalece os nervos ligados à córnea

O fator de crescimento do nervo (NGF) é responsável por estimular a regeneração dos nervos ópticos e manter a estrutura da córnea.   

O consumo de suplementos de ômega 3 pode melhorar a produção do NGF, resultando no aumento do comprimento das fibras nervosas da córnea e da densidade de ramos.

Mas o efeito do consumo de suplementos de ômega 3 pode variar a depender da gravidade do ressecamento dos olhos.  

  • O ômega 3 evita a evaporação do filme lacrimal

O consumo deficiente de ômega 3 por si só já é um risco para o desenvolvimento dos sintomas dos olhos secos. Pois, a falta do ômega 3 na composição do filme lacrimal reduz a lubrificação na superfície ocular.

Isso acontece porque as gorduras evaporam em temperaturas diferentes a depender da sua estrutura molecular. E, gorduras classificadas como insaturadas, como o ômega 3, precisam de uma temperatura menor do que as saturadas. 

Dessa forma, para garantir a fluidez e natureza líquida do filme lacrimal os dois tipos de gorduras precisam estar presentes em quantidade adequadas.

Como temos tendência a ter deficiência de consumo de ômega 3, a camada lipídica do filme lacrimal não consegue manter seu equilíbrio ficando susceptível a maior evaporação.

Estudos já comprovaram que o consumo regular do ômega 3 pode proteger o filme lacrimal através desse mecanismo.

  • O ômega 3 protege a retina

A mácula é uma região presente na retina, na parte interna dos olhos. É composta por várias enervações e gorduras.

É uma área super importante para a formação da imagem que enxergamos, porém muito sensível também. Muitos fatores contribuem com a destruição da mácula, resultando na perda da visão à longo prazo.

Estudos mostram que o consumo regular de ômega 3 ajuda a prevenir a destruição da mácula que ocorre com o passar da idade.

Benefícios do Ômega 3 para a visão da gestação à infância

A alimentação de uma gestante deve ser completa em todos os nutrientes, principalmente aqueles que são de extremamente importantes para o desenvolvimento do bebe, como o ácido fólico e o ômega 3.

Embora ainda não seja um consenso, há mais de 18 estudos clínicos randomizados, evidenciando que o consumo materno de suplementos de ômega 3 resultou em benefícios para a acuidade visual, desenvolvimento psicomotor, desempenho mental e crescimento de bebês e crianças.

Existem também 15 estudos clínicos randomizados mostrando que bebês que tomaram ômega 3 através de fórmula infantil enriquecida com ômega 3 do tipo DHA, tiveram melhor desenvolvimento da visão e do cérebro.

Benefícios do Ômega 3 para a visão

  • Trata e previne os sinais e sintomas dos olhos secos 
  • Protege e fortalece os componentes da superfície ocular
  • Mantém a Lubrificação dos olhos saudáveis
  • Promove a manutenção e integridade da córnea; 
  • Previne a desgaste da retina (clinicamente chamada de degeneração da mácula); 
  • Estimula a produção de substâncias  anti-inflamatórias e neuroprotetoras na córnea;
  • Previne doenças oculares;
  • Aumenta o comprimento e fortalece as fibras nervosas da córnea.
  • Melhora a acuidade visual em bebês

Como tomar Ômega 3 para a visão?

Alguns fatores podem interferir na eficácia do ômega 3 para nossa visão, por isso, é preciso observar alguns detalhes antes e durante o consumo. 

Quantidade adequada de ômega 3 ao dia

O efeito do ômega 3 na maioria dos estudos foi visto através do consumo contínuo de suplementos de óleo de peixe.

A concentração variava entre 800 a 2500 mg de ômega 3 ao dia.  Na média, a recomendação diária é de 1200 a 1500 mg de ômega 3.

Por se tratar de um nutriente essencial, o consumo do ômega 3 deve ser contínuo. A suspensão do consumo pode acarretar na perda dos benefícios obtidos pela suplementação.

Origem do ômega 3

Busque entender se o ômega 3 é de origem vegetal ou animal, porque embora o ômega 3 do tipo ALA – de origem vegetal tenha seu valor, as investigações mostram que o ômega 3 do tipo EPA e DHA – de origem animal, são mais eficazes para a visão.  

Dieta: Cuidado com o excesso de ômega 6

A dieta é outro fator que interfere no resultado, pois o sucesso da ação anti-inflamatória do ômega 3 depende da proporção de consumo entre 3 e 6. Nossa dieta geralmente tem excesso de ômega 6 e deficiência de ômega 3, sendo a proporção normalmente de 15: 1, versus uma proporção ideal de até 4: 1.

Ainda sobre a dieta, importante destacar que quase todos os estudos avaliaram o efeito de um único suplemento. Portanto, o possível efeito sinérgico de uma combinação de diferentes micronutrientes e nutracêuticos como vitamina A, vitamina C, vitamina D, selênio, cúrcuma, ainda precisa ser investigado.

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Referências:

Marco Pellegrini, et al. The Role of Nutrition and Nutritional Supplements in Ocular Surface Diseases. 30 de março de 2020. NLM. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7230622/> Acessado em 20/10/2020;

Giuseppe Giannaccare, et al. Efficacy of Omega-3 Fatty Acid Supplementation for Treatment of Dry Eye Disease: A Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. Maio de 2020. PubMed. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30702470/> Acessado em 20/10/2020;

Aihua Liu, et al. Omega-3 essential fatty acids therapy for dry eye syndrome: a meta-analysis of randomized controlled studies. 06 de Setembro de 2020. PubMed. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25193932/> Acessado em 20/10/2020;

Jose A Hurtado, et al. Effects of Maternal Ω-3 Supplementation on Fatty Acids and on Visual and Cognitive Development. Outubro de 2015. PubMed. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25988553/> Acessado em 20/10/2020;

 
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